Avaliação de Performance em Parques Fotovoltaicos – Uma Boa Gestão do seu Activo

 

Em artigo publicado na revista “O Instalador” Vasco Nogueira, Head of Department IEP – Energy, Efficiency and Renewable, fala-nos da avaliação de performance em parques fotovoltaicos.

Ao longo dos últimos anos temos assistido, por todo o mundo, a um crescimento exponencial da potência instalada em centrais fotovoltaicas. Caminhando assim no sentido de uma maior sustentabilidade ambiental no contexto da produção de energia elétrica.
As centrais fotovoltaicas, dependendo da sua localização e dimensão, tem exigências específicas e diferenciadas no contexto da sua operação e manutenção (O&M). Em particular, e de acordo com os trabalhos que desenvolvemos como entidade independente, durante o período de exploração destas unidades produtoras detetámos um número considerável de defeitos nos módulos fotovoltaicos para além de quebras de eficiência nos inversores DC/AC. Estes tipos de problemas têm como consequência uma natural quebra de produção de energia elétrica, e a consequente perda de rentabilidade do parque.
De acordo com a nossa experiência, a percentagem de defeitos encontrados por módulo fotovoltaico em operação, fixa-se num intervalo de 0,5% a 1%, quando são centrais fotovoltaicas em exploração há menos de um ano. Quando avaliamos centrais fotovoltaicas com idades superiores, apuramos que o desempenho desta, está muito dependente da qualidade da O&M, tendo mesmo encontrado situações onde os defeitos em módulos fotovoltaicos ascendem aos 5%, concluindo assim, que uma avaliação periódica do desempenho destas centrais fotovoltaicas, torna-se um factor preponderante para garantir uma boa performance do activo financeiro.

Estas avaliações de periódicas de performance, inserem-se na actividade de due diligence deste tipos de activos , para os quais o IEP tem todas as condições técnicas e os meios necessário para dar resposta cabal, este tipo de análises.
Desta avaliação de performance fazem parte não só a avaliação de módulos fotovoltaicos, por inspecção termográfica, mas também a avaliação dos inversores, terras e de todos os elementos que constituem a central fotovoltaica.
1. Avaliação dos módulos fotovoltaicos
A avaliação deste componente é feita através com voos programados por drone para realizar a avaliação por termografia dos defeitos em módulos fotovoltaicos.


De acordo com a nossa experiência podemos desagregar em 3 níveis de severidade os defeitos encontrados:

Nível 1 – anomalias sem qualquer ação iminente,
Nível 2 – necessário verificar a causa e se necessário retificar dentro de um período aceitável e
 Nível 3 – necessária correção imediata.


Atendendo aos resultados das análises de desempenho que efetuámos verifica-se maioria dos defeitos encontrados representam defeitos de Nível 2.
Estes defeitos, apesar de não serem defeitos graves, torna-se necessário um acompanhamento regular do seu desenvolvimento para avaliar a sua evolução destes por forma a evitar que estes se convertam em Nível 3, comprometendo assim o desempenho e segurança da central fotovoltaica.

2. Avaliação da Eficiência dos Inversores
No que respeita à avaliação dos inversores, é fundamental avaliar a eficiência da conversão DC/AC da energia gerada na central fotovoltaica, em virtude de por vezes esta conversão não ser feita com a eficiência prevista em projecto, levando a perdas de produção de energia.
De acordo com a nossa experiência, nem sempre a eficiência destes equipamentos está garantida, sendo necessário o seu recondicionamento.

A título de exemplo, dos trabalhos que realizamos em parques fotovoltaicos com mais de 5 anos, temos sido confrontados com quebras da eficiência dos inversores de aproximadamente 3% a 4%, face às previsões iniciais em projecto, garantidas muitas vezes pelos fabricantes.

Deste modo, demonstra-se uma vez mais a importância de um acompanhamento regular destes equipamentos, para avaliar se este activo está a ser gerido da melhor forma.

Em conclusão, a avaliação regular da performance das centrais fotovoltaicas é fundamental na escuta activa dos componentes que a constituem e que estão directamente relacionados com a produção de energia. Conseguindo assim, garantir uma performance excelente do activo, e um retorno financeiro deste investimento nos tempos e prazos previstos na fase de avaliação de todo o projecto.

Uma outra vantagem deste tipo de avaliações, é a de permitir que a equipa de manutenção se foque no essencial, implementando o plano de prioridade das correções, consoante o grau de severidade dos defeitos encontrados. Desta forma, uma entidade de terceira parte, independente, coopera com promotores e equipas de manutenção, de modo a retirar o máximo proveito possível de cada parque solar, maximizando a produção, aumentando a sua vida útil e, consequentemente, aumentando o retorno financeiro do investimento.
Assim, conseguiremos criar um triângulo de responsabilidades, entre investidores, empresas de O&M e entidades inspectoras, que trabalharão em conjunto para manter a performance do parque em níveis de excelência, contribuído deste modo, para uma produção de energia renovável mais eficiente e optimizada, caminhando de mãos dadas para a descarbonização da economia e de um planeta mais sustentável.

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