{"id":10565,"date":"2020-04-20T11:52:00","date_gmt":"2020-04-20T11:52:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.iep.pt\/eco-design-e-etiquetagem-energetica-na-industria-do-frio\/"},"modified":"2021-08-23T09:28:09","modified_gmt":"2021-08-23T09:28:09","slug":"eco-design-e-etiquetagem-energetica-na-industria-do-frio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.iep.pt\/en\/eco-design-e-etiquetagem-energetica-na-industria-do-frio\/","title":{"rendered":"Eco Design e Etiquetagem Energ\u00e9tica na Ind\u00fastria do Frio"},"content":{"rendered":"\n<p>Por Paulo Cabral, Respons\u00e1vel pelo Gabinete de Rela\u00e7\u00f5es Institucionais do IEP \u2013 Instituto Electrot\u00e9cnico Portugu\u00eas<\/p>\n\n<p>Um estudo do International Institute of Refrigeration (IIR) refere que 17% do consumo mundial de eletricidade se destina \u00e0 refrigera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n<p>O mesmo estudo indica que cerca de 20% do impacto ambiental da refrigera\u00e7\u00e3o est\u00e1 associado \u00e0s fugas de gases refrigerantes (CFCs, HCFCs e HFCs), estando os restantes 80% associados \u00e0s emiss\u00f5es indiretas devido ao consumo energ\u00e9tico. Isto mostra bem o impacto energ\u00e9tico da refrigera\u00e7\u00e3o e a sua import\u00e2ncia na economia mundial.<\/p>\n\n<p>A atual regulamenta\u00e7\u00e3o europeia em mat\u00e9ria de conce\u00e7\u00e3o ecol\u00f3gica (eco design) e etiquetagem energ\u00e9tica exige que os equipamentos de frio profissional possuam a indica\u00e7\u00e3o do seu consumo energ\u00e9tico, tal como acontece desde h\u00e1 muito em rela\u00e7\u00e3o aos equipamentos de frio dom\u00e9stico.<\/p>\n\n<p>Para que tais equipamentos possam ser comercializados no espa\u00e7o europeu, os respetivos fabricantes devem submet\u00ea-los a ensaios de temperatura e de determina\u00e7\u00e3o dos consumos de energia.<\/p>\n\n<p>Este artigo apresenta o laborat\u00f3rio que o\u00a0<a href=\"https:\/\/www.iep.pt\/en\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">IEP\u00a0<\/a>criou para dar resposta a estes novos requisitos. Esse laborat\u00f3rio efetua ensaios segundo as normas EN 16825 e EN ISO 23953-2, sendo o primeiro laborat\u00f3rio na Pen\u00ednsula Ib\u00e9rica (e um dos poucos em toda a Europa) a estar acreditado para esses ensaios.<\/p>\n\n<p>Desta forma, os fabricantes de equipamentos de frio profissional disp\u00f5em numa \u00fanica entidade de todos os servi\u00e7os de avalia\u00e7\u00e3o da conformidade dos seus produtos, incluindo seguran\u00e7a, compatibilidade eletromagn\u00e9tica (EMC), pot\u00eancia sonora, efeitos fotobiol\u00f3gicos e etiquetagem energ\u00e9tica.<\/p>\n\n<h3 id=\"part2205412\">Enquadramento regulamentar<\/h3>\n\n<p>O quadro legal europeu relativo \u00e0 conce\u00e7\u00e3o ecol\u00f3gica de produtos (eco design) tem por base a Diretiva 2009\/125\/CE, que define os requisitos de conce\u00e7\u00e3o ecol\u00f3gica dos produtos relacionados com o consumo de energia. Para dar execu\u00e7\u00e3o a essa diretiva no que respeita aos requisitos aplic\u00e1veis aos equipamentos de refrigera\u00e7\u00e3o e de congela\u00e7\u00e3o para fins profissionais foi publicado o Regulamento (UE) 2015\/1095. Com rela\u00e7\u00e3o direta com o eco design, embora possuindo um quadro legal espec\u00edfico, est\u00e1 a etiquetagem energ\u00e9tica, que \u00e9 baseada no Regulamento (UE) 2017\/1369. O ato delegado que d\u00e1 execu\u00e7\u00e3o a este quadro legal no que se refere aos arm\u00e1rios refrigerados de armazenagem para fins profissionais \u00e9 o Regulamento (UE) 2015\/1094. Esta legisla\u00e7\u00e3o europeia imp\u00f5e que os equipamentos de frio para usos profissionais indiquem o seu consumo energ\u00e9tico de uma forma normalizada. Para isso \u00e9 necess\u00e1rio que os fabricantes de tais equipamentos efetuem ensaios de temperatura e de consumo energ\u00e9tico, cujos resultados ir\u00e3o permitir determinar a classe de efici\u00eancia energ\u00e9tica e as demais informa\u00e7\u00f5es exigidas. Para demonstrar a conformidade dos equipamentos de frio com a regulamenta\u00e7\u00e3o que lhes \u00e9 aplic\u00e1vel, devem ser aplicadas as normas harmonizadas indicadas pela Comiss\u00e3o Europeia. Tais normas t\u00eam por objetivo simular a utiliza\u00e7\u00e3o real desses equipamentos, em condi\u00e7\u00f5es de ensaio uniformes e rigorosamente definidas e aplicando regras de c\u00e1lculo que permitam efetuar uma compara\u00e7\u00e3o correta entre diferentes produtos dispon\u00edveis no mercado.<\/p>\n\n<h3 id=\"part2205423\">Laborat\u00f3rio de ensaios<\/h3>\n\n<p>Com base nos requisitos que as normas EN 16825 e EN ISO 23953-2 imp\u00f5em para a execu\u00e7\u00e3o dos ensaios, foi projetada uma c\u00e2mara de ensaios de grande volume destinada a colocar no seu interior os equipamentos a ensaiar. Para isso foram tidos em conta aspetos tais como:<\/p>\n\n<ul><li>A ilumina\u00e7\u00e3o, que deve assegurar (600 \u00b1 100) lx, medidos a uma altura de 1 m acima do n\u00edvel do ch\u00e3o; o seu espectro de emiss\u00e3o no dom\u00ednio do infravermelho n\u00e3o deve apresentar picos que excedam os 500 W\/5 nm\/lm;<\/li><li>As paredes e o teto devem apresentar uma emissividade entre 0,9 e 1, a 25 \u00b0C;<\/li><li>A velocidade m\u00e9dia do ar, medida durante 1 minuto com intervalos de amostragem inferiores a 5 s, deve situar-se entre 0,1 m\/s e 0,2 m\/s;<\/li><li>A temperatura do ar, medida em cada um de um conjunto de pontos localizados a diversas alturas e dist\u00e2ncias das paredes, segundo uma matriz definida normativamente, n\u00e3o deve diferir mais de 2 \u00b0C da temperatura estipulada para cada classe clim\u00e1tica;<\/li><li>A humidade relativa do ar deve poder ser mantida dentro de \u00b13 unidades relativamente \u00e0 humidade estipulada para cada classe clim\u00e1tica.<\/li><\/ul>\n\n<p>Uma vez que os requisitos t\u00e9rmicos s\u00e3o extremamente apertados, houve o maior cuidado em assegurar o m\u00ednimo de trocas t\u00e9rmicas entre o interior da c\u00e2mara e o ambiente exterior. Para isso, foram utilizados nas faces verticais e no teto da c\u00e2mara pain\u00e9is isolantes contendo espuma de poliuretano r\u00edgido, assegurando um \u03bb\u00a0de pelo menos 0,03 W\/m\u00d7\u00b0C. Para o pavimento foi utilizado um isolamento t\u00e9rmico composto por diversas camadas.<\/p>\n\n<h3 id=\"part2205428\">Ensaios normativos<\/h3>\n\n<p><strong>Ensaio de temperatura<\/strong><\/p>\n\n<p>No in\u00edcio de cada ensaio e\u00a0ap\u00f3s o condicionamento do equipamento\u00a0este \u00e9 carregado com pacotes de ensaio paralelepip\u00e9dicos, de 500 g ou 1000 g, constitu\u00eddos por um material sint\u00e9tico que procura simular as caracter\u00edsticas t\u00e9rmicas da carne de bife (no caso de equipamentos abrangidos pela norma EN 16825, o enchimento pode tamb\u00e9m ser completado com pacotes de 125 g, 250 g ou 375 g). Alguns dos pacotes de ensaio de 500 g s\u00e3o instrumentados com sensores de temperatura colocados no seu centro geom\u00e9trico, designando-se esses pacotes por \u2018pacotes M\u2019. O objetivo \u00e9 conhecer a distribui\u00e7\u00e3o, em todo o volume e ao longo do tempo, das temperaturas no interior do equipamento em ensaio. Os pacotes de ensaio s\u00e3o colocados segundo um plano de carga espec\u00edfico de cada equipamento, o qual tem em conta os limites de carga estipulados pelo respetivo fabricante. As figuras apresentam um exemplo de como \u00e9 feita essa prepara\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img src=\"https:\/\/img.interempresas.net\/fotos\/2205432.jpeg\" alt=\"foto\"\/><\/figure>\n\n<p>Exemplo de plano de carga: a) e b) vistas laterais; c) corte transversal; d) vista frontal.<\/p>\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img src=\"https:\/\/img.interempresas.net\/fotos\/2205436.png\" alt=\"foto\"\/><\/figure>\n\n<p>Exemplo de equipamento j\u00e1 preparado com os pacotes de ensaio, incluindo pacotes M para medi\u00e7\u00e3o das temperaturas no seu interior. Ap\u00f3s atingidas as condi\u00e7\u00f5es de estabilidade previstas normativamente (traduzidas numa varia\u00e7\u00e3o inferior a \u00b10,5 \u00baC entre pontos id\u00eanticos da curva de temperatura, durante um per\u00edodo de 24 h), s\u00e3o iniciados os registos de temperatura e de consumo energ\u00e9tico. De acordo com as caracter\u00edsticas de cada equipamento, designadamente a exist\u00eancia de portas ou gavetas, exist\u00eancia de ilumina\u00e7\u00e3o, etc., os ensaios abrangem diversas condi\u00e7\u00f5es funcionais. Durante os ensaios s\u00e3o continuamente registadas as temperaturas dos pacotes M, sendo tra\u00e7ados os respetivos gr\u00e1ficos das temperaturas em fun\u00e7\u00e3o do tempo. Apresenta-se em seguida um exemplo de um desses ensaios. No caso aqui apresentado, tratava-se de um equipamento com v\u00e1rias portas e com ilumina\u00e7\u00e3o, pelo que as 24 horas de registos finais abrangeram 12 horas com abertura e fecho das portas e com a ilumina\u00e7\u00e3o ligada, seguidas por outras 12 horas com as portas fechadas e com a ilumina\u00e7\u00e3o desligada.<\/p>\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img src=\"https:\/\/img.interempresas.net\/fotos\/2205465.jpeg\" alt=\"foto\"\/><\/figure>\n\n<p>Exemplo de resultados: a) varia\u00e7\u00e3o da temperatura no pacote M com temperatura mais elevada; b) varia\u00e7\u00e3o da temperatura m\u00e9dia de todos os pacotes M.<\/p>\n\n<h3 id=\"part2205467\">Ensaio de consumo de energia<\/h3>\n\n<p>Ao longo do ensaio de temperatura, ap\u00f3s o per\u00edodo inicial de estabiliza\u00e7\u00e3o, \u00e9 registado continuamente o consumo de energia el\u00e9trica do equipamento. Assim, obt\u00e9m-se o consumo de energia ao longo de 24 horas, valor a partir do qual se determina o consumo anual de energia, que ser\u00e1 relacionado com o consumo anual de energia normalizado, em kWh\/ano, para assim se estabelecer o \u00edndice de efici\u00eancia energ\u00e9tica do equipamento.<\/p>\n\n<h3 id=\"part2205470\">Saiba mais:<\/h3>\n\n<ul><li>European Commission \u2013 \u201cList of energy efficient products Regulations by product group\u201d \u2013\u00a0<a href=\"https:\/\/ec.europa.eu\/energy\/topics\/energy-efficiency\/energy-efficient-products\/list-regulations-product-groups-energy-efficient-products_en\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">https:\/\/ec.europa.eu\/energy\/topics\/energy-efficiency\/energy-efficient-products\/list-regulations-product-groups-energy-efficient-products_en<\/a>;<\/li><li>International Institute of Refrigeration \u2013 \u201cThe role of refrigeration in the global economy\u201d \u2013\u00a0<a href=\"http:\/\/www.iifiir.org\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">http:\/\/www.iifiir.org<\/a>.<\/li><\/ul>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Paulo Cabral, Respons\u00e1vel pelo Gabinete de Rela\u00e7\u00f5es Institucionais do IEP \u2013 Instituto Electrot\u00e9cnico Portugu\u00eas Um estudo do International Institute of Refrigeration (IIR) refere que 17% do consumo mundial de &hellip;<\/p>\n<p class=\"read-more\"> <a class=\"ast-button\" href=\"https:\/\/www.iep.pt\/en\/eco-design-e-etiquetagem-energetica-na-industria-do-frio\/\"> <span class=\"screen-reader-text\">Eco Design e Etiquetagem Energ\u00e9tica na Ind\u00fastria do Frio<\/span> Descubra mais<\/a><\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":10326,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"spay_email":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_is_tweetstorm":false,"jetpack_publicize_feature_enabled":true},"categories":[],"tags":[],"acf":[],"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/www.iep.pt\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/Eco-Design-e-Etiquetagem-Energetica-na-Industria-do-Frio.png","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.iep.pt\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10565"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.iep.pt\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.iep.pt\/en\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.iep.pt\/en\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.iep.pt\/en\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=10565"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.iep.pt\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10565\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.iep.pt\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media\/10326"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.iep.pt\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=10565"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.iep.pt\/en\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=10565"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.iep.pt\/en\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=10565"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}