{"id":10588,"date":"2019-10-18T16:20:00","date_gmt":"2019-10-18T16:20:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.iep.pt\/a-compatibilidade-electromagnetica-para-a-competitividade-na-era-da-internet-das-coisas\/"},"modified":"2021-08-23T09:40:26","modified_gmt":"2021-08-23T09:40:26","slug":"a-compatibilidade-electromagnetica-para-a-competitividade-na-era-da-internet-das-coisas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.iep.pt\/en\/a-compatibilidade-electromagnetica-para-a-competitividade-na-era-da-internet-das-coisas\/","title":{"rendered":"A Compatibilidade Electromagn\u00e9tica para a competitividade na era da Internet das Coisas"},"content":{"rendered":"\n<p>Os ensaios e as certifica\u00e7\u00f5es relativos \u00e0 compatibilidade electromagn\u00e9tica (EMC) s\u00e3o frequentemente vistos pelos fabricantes de equipamentos electr\u00f3nicos como um entrave \u00e0 entrada dos seus produtos no mercado. Todavia, tais requisitos podem ser de facto uma ajuda para tornar esses produtos mais competitivos. Paulo Cabral, respons\u00e1vel pelo Gabinete de Rela\u00e7\u00f5es Institucionais do IEP explica porqu\u00ea em artigo publicado na revista \u201cRob\u00f3tica\u201d.<\/p>\n\n<p><strong>Nenhum produto \u00e9 uma ilha<\/strong><\/p>\n\n<p>Parafraseando o poeta ingl\u00eas John Donne (1572-1631), nenhum produto \u00e9 uma ilha. Sempre que est\u00e3o em funcionamento, todos os produtos electr\u00f3nicos, quer sejam alimentados pela rede el\u00e9ctrica ou por baterias, incluindo os dispositivos electr\u00f3nicos que est\u00e3o instalados em ve\u00edculos, produzem campos electromagn\u00e9ticos. As consequ\u00eancias desses fen\u00f3menos podem ser as mais variadas. Uma das mais comuns \u00e9 provocar interfer\u00eancias noutros equipamentos que lhes est\u00e3o pr\u00f3ximos.<\/p>\n\n<p>Com a crescente complexidade das tecnologias actuais, identificar todas as poss\u00edveis fontes de interfer\u00eancia, tanto as que s\u00e3o produzidas pelos pr\u00f3prios equipamentos como as que neles s\u00e3o provocadas por outros equipamentos, n\u00e3o \u00e9 tarefa simples.<\/p>\n\n<p>Muitos fabricantes encaram os ensaios de EMC como um contratempo que atrasa a coloca\u00e7\u00e3o dos seus produtos no mercado. Tal percep\u00e7\u00e3o resulta sobretudo de n\u00e3o considerarem a quest\u00e3o da compatibilidade electromagn\u00e9tica logo desde as fases iniciais do projecto.<\/p>\n\n<p><strong>No princ\u00edpio era o caos<\/strong><\/p>\n\n<p>No in\u00edcio do s\u00e9culo XX, quando a Marinha dos EUA introduziu a telegrafia sem fios para transmitir informa\u00e7\u00f5es por ondas hertzianas, todos os transmissores estavam sintonizados na mesma frequ\u00eancia. Isso provocava enormes interfer\u00eancias sempre que havia v\u00e1rios transmissores a operar em simult\u00e2neo, tornando a comunica\u00e7\u00e3o imposs\u00edvel, com os \u00f3bvios riscos que isso representava para as for\u00e7as militares.<\/p>\n\n<p>Em resposta ao caos radioel\u00e9ctrico assim criado, foi elaborado aquele que se pode considerar o primeiro regulamento sobre compatibilidade electromagn\u00e9tica, que atribuiu frequ\u00eancias diferentes aos diversos tipos de utilizadores de r\u00e1dio. Essa regra legal, combinada com os avan\u00e7os tecnol\u00f3gicos, abriu caminho ao crescimento das comunica\u00e7\u00f5es via r\u00e1dio e \u00e0 radiodifus\u00e3o.<\/p>\n\n<p><strong>As regras da EMC estimulam a inova\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n\n<p>Desde ent\u00e3o, os regulamentos legais, os m\u00e9todos de ensaio e as normas de EMC foram sucessivamente revistos e aperfei\u00e7oados, para acompanharem os mais recentes desenvolvimentos das tecnologias. Actualmente, na Europa, todos os dispositivos electr\u00f3nicos, quer sejam alimentados pela rede el\u00e9ctrica ou por baterias, devem estar em conformidade com a Directiva 2014\/30\/UE, ou Directiva da Compatibilidade Electromagn\u00e9tica (EMC), excepto se possu\u00edrem alguma forma de comunica\u00e7\u00e3o por radiofrequ\u00eancia (RF), caso em que os aspectos de compatibilidade electromagn\u00e9tica ficam sob a al\u00e7ada da Directiva 2014\/53\/UE, ou Directiva dos Equipamento de R\u00e1dio (RED).<\/p>\n\n<p>Estas Directivas (EMC e RED) visam assegurar que os equipamentos el\u00e9ctricos e electr\u00f3nicos possuem n\u00edveis de imunidade adequados para funcionarem da forma prevista no ambiente electromagn\u00e9tico a que se destinam, para al\u00e9m de n\u00e3o produzirem perturba\u00e7\u00f5es electromagn\u00e9ticas que possam interferir com outros equipamentos.<\/p>\n\n<p>A Directiva RED assume particular relev\u00e2ncia quando se pensa na crescente adop\u00e7\u00e3o de tecnologias \u201cinteligentes\u201d, porque nesses casos as falhas de conectividade s\u00e3o vistas pelos utilizadores como inaceit\u00e1veis, o que constitui um dos maiores obst\u00e1culos para a generaliza\u00e7\u00e3o da \u201cInternet das Coisas\u201d (IoT).<\/p>\n\n<p>Se pensarmos no que se espera que seja uma casa \u201cinteligente\u201d, na qual tudo deve estar conectado e funcionar em conjunto de forma harmoniosa, vemos que quanto maior for a densidade de dispositivos electr\u00f3nicos nesse ecossistema tanto maiores ser\u00e3o as probabilidades de ocorrerem interfer\u00eancias entre eles.<\/p>\n\n<p>Os ensaios de EMC n\u00e3o devem ser encarados como exig\u00eancias legais que apenas provocam uma sobrecarga adicional \u00e0s equipas de desenvolvimento dos produtos. Devem antes ser vistos como uma oportunidade que os fabricantes de equipamentos electr\u00f3nicos t\u00eam para resolver estes problemas do \u201cprimeiro mundo\u201d logo nas fases iniciais do processo de concep\u00e7\u00e3o dos produtos, evitando assim que tais problemas se manifestem quando os equipamentos j\u00e1 estiverem no mercado.<\/p>\n\n<p><strong>Para melhorar \u00e9 preciso ensaiar<\/strong><\/p>\n\n<p>O n\u00edvel de ru\u00eddo electromagn\u00e9tico gerado por um equipamento, tal como a sua susceptibilidade \u00e0s interfer\u00eancias causadas por outros dispositivos, depende de v\u00e1rios factores: da bateria que est\u00e1 dentro do produto, do \u201clayout\u201d da placa de circuito impresso, das antenas, dos cabos de sinal, dos cabos de alimenta\u00e7\u00e3o, dos sinais de alta frequ\u00eancia gerados nos circuitos RF e nos barramentos de mem\u00f3ria de alta velocidade, dos \u201cdisplays\u201d LCD, etc.<\/p>\n\n<p>\u00c9 vulgar que os fabricantes tratem de forma independente o projecto do inv\u00f3lucro do equipamento, a selec\u00e7\u00e3o do \u201cdisplay\u201d LCD, ou o desenho da placa de circuito impresso. No entanto, para desenvolver um produto electr\u00f3nico de consumo (e n\u00e3o apenas os produtos \u201cinteligentes\u201d) numa correcta perspectiva de compatibilidade electromagn\u00e9tica, os projectistas devem garantir que todos os m\u00f3dulos v\u00e3o funcionar em conjunto como um sistema completo que limita adequadamente o ru\u00eddo electromagn\u00e9tico.<\/p>\n\n<p>Isso exige uma maior aten\u00e7\u00e3o ao \u201clayout\u201d, \u00e0 densidade do dispositivo, ao posicionamento das antenas, aos percursos dos cabos, \u00e0 blindagem, ao isolamento e \u00e0 filtragem, para al\u00e9m dos aspectos funcionais do produto. Isso representa um desafio crescente para os engenheiros, especialmente \u00e0 medida que aumenta o n\u00edvel de miniaturiza\u00e7\u00e3o e que os dispositivos se tornam cada vez mais compactos. Para garantir uma opera\u00e7\u00e3o livre de interfer\u00eancias, \u00e9 importante considerar os aspectos de EMC logo desde o in\u00edcio do projecto, ainda na fase de concep\u00e7\u00e3o, e efectuar ensaios nas diversas etapas ao longo do desenvolvimento do produto.<\/p>\n\n<p>Possuindo uma experi\u00eancia de mais de tr\u00eas d\u00e9cadas na avalia\u00e7\u00e3o de requisitos de EMC, os laborat\u00f3rios do IEP podem ajudar os fabricantes a incorporar nos produtos electr\u00f3nicos as regras correctas da compatibilidade electromagn\u00e9tica, desde a sua concep\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n<p><strong>EMC tamb\u00e9m tem a ver com seguran\u00e7a<\/strong><\/p>\n\n<p>Surpreendentemente, muitas pessoas pensam que os requisitos de EMC e os requisitos de seguran\u00e7a s\u00e3o assuntos distintos. No entanto, como se ir\u00e1 ver de seguida, isso n\u00e3o \u00e9 assim.<\/p>\n\n<p>A Directiva EMC exige que os produtos electr\u00f3nicos n\u00e3o excedam n\u00edveis de emiss\u00f5es acima dos quais os equipamentos de r\u00e1dio e telecomunica\u00e7\u00f5es, entre outros equipamentos, poder\u00e3o n\u00e3o funcionar como previsto. Imp\u00f5e tamb\u00e9m n\u00edveis de imunidade \u00e0s perturba\u00e7\u00f5es electromagn\u00e9ticas que s\u00e3o de esperar no decurso do seu funcionamento, o que permite que o produto funcione sem ocorrer uma degrada\u00e7\u00e3o inaceit\u00e1vel no seu uso previsto.<\/p>\n\n<p>Isso est\u00e1 intimamente ligado com a seguran\u00e7a do produto. \u00c0 medida que a \u201cInternet das Coisas\u201d se expande, h\u00e1 cada vez mais produtos electr\u00f3nicos interconectados, o que aumenta as probabilidades de interfer\u00eancias entre dispositivos. Tais interfer\u00eancias provocam falhas no desempenho, aumento do ru\u00eddo, interrup\u00e7\u00f5es ou falhas na transmiss\u00e3o e na integridade do sinal, o que pode ter consequ\u00eancias potencialmente graves tanto para a seguran\u00e7a das pessoas como para a seguran\u00e7a das redes de comunica\u00e7\u00e3o (comprometendo, por exemplo, a protec\u00e7\u00e3o dos dados pessoais e a ciber-seguran\u00e7a).<\/p>\n\n<p>Assim, a conformidade com os requisitos de EMC permite aos fabricantes optimizar a fiabilidade dos sistemas \u201cinteligentes\u201d, ao mesmo tempo que protege a reputa\u00e7\u00e3o das suas empresas. Ao envolverem um laborat\u00f3rio de EMC no processo de concep\u00e7\u00e3o e desenvolvimento de um produto, desde a fase inicial, os fabricantes obt\u00e9m vantagens competitivas, uma vez que assim evitam ter que introduzir altera\u00e7\u00f5es sucessivas ao produto, com a consequente repeti\u00e7\u00e3o de etapas na avalia\u00e7\u00e3o da sua conformidade, o que acarreta poupan\u00e7as nos custos de desenvolvimento, bem como a redu\u00e7\u00e3o do tempo necess\u00e1rio at\u00e9 que o produto chegue ao mercado.<\/p>\n\n<p>O IEP \u00e9 uma infra-estrutura tecnol\u00f3gica que ajuda os fabricantes a adoptarem uma abordagem integral no que se refere \u00e0 EMC, tendo em vista garantir que um novo produto ser\u00e1 compat\u00edvel com a IoT e que cumprir\u00e1 os requisitos legais e normativos relevantes nos diversos mercados a que esse produto se destina, tanto em mat\u00e9ria de seguran\u00e7a como de EMC.<\/p>\n\n<p><strong>Antecipando o futuro<\/strong><\/p>\n\n<p>Um dos factores que ser\u00e3o determinantes na adop\u00e7\u00e3o da \u201cInternet das Coisas\u201d \u00e9 a disponibilidade de um espectro de frequ\u00eancias adequado. Apesar de os reguladores disponibilizarem bandas de frequ\u00eancia espec\u00edficas para as comunica\u00e7\u00f5es de dados sem fios, o espectro est\u00e1 ocupado e ficar\u00e1 ainda mais saturado \u00e0 medida que os utilizadores exigirem servi\u00e7os com cada vez maior qualidade e conectividade instant\u00e2nea para aplica\u00e7\u00f5es como a comunica\u00e7\u00e3o por voz sobre IP (VoIP), o \u201cstreaming\u201d de v\u00eddeo ou os ve\u00edculos aut\u00f3nomos.<\/p>\n\n<p>A EMC desempenha um papel fulcral nas tecnologias inovadoras que v\u00e3o permitir solucionar esse problema, como por exemplo as tecnologias de \u201cpartilha de espectro\u201d. Isso permite que os dispositivos sem fios sejam geridos de forma activa por sistemas de controlo centralizado, que ligam e desligam os dispositivos IoT em fun\u00e7\u00e3o das prioridades de outros utilizadores.<\/p>\n\n<p>Outro \u00e2mbito relevante para a ind\u00fastria das tecnologias sem fios \u00e9 a expans\u00e3o das comunica\u00e7\u00f5es na faixa das ondas milim\u00e9tricas (mmW) e a crescente implanta\u00e7\u00e3o de \u201clinks\u201d de alta frequ\u00eancia (acima dos 60\u00a0GHz), que permitem atingir taxas de transfer\u00eancia de dados extremamente elevadas.<\/p>\n\n<p>Escusado ser\u00e1 dizer que esses desenvolvimentos ir\u00e3o implicar tamb\u00e9m uma altera\u00e7\u00e3o substancial das normas de ensaio de EMC, pelo que o acompanhamento da evolu\u00e7\u00e3o normativa (participando nas Comiss\u00f5es T\u00e9cnicas de Normaliza\u00e7\u00e3o relevantes) confere aos fabricantes de produtos electr\u00f3nicos uma vantagem competitiva adicional.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os ensaios e as certifica\u00e7\u00f5es relativos \u00e0 compatibilidade electromagn\u00e9tica (EMC) s\u00e3o frequentemente vistos pelos fabricantes de equipamentos electr\u00f3nicos como um entrave \u00e0 entrada dos seus produtos no mercado. 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