{"id":10591,"date":"2019-06-13T15:26:00","date_gmt":"2019-06-13T15:26:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.iep.pt\/aerogeradores-em-fim-de-vida-que-futuro\/"},"modified":"2021-08-20T16:44:11","modified_gmt":"2021-08-20T16:44:11","slug":"aerogeradores-em-fim-de-vida-que-futuro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.iep.pt\/en\/aerogeradores-em-fim-de-vida-que-futuro\/","title":{"rendered":"AEROGERADORES EM FIM DE VIDA: Que futuro?"},"content":{"rendered":"\n<p><a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/sharer.php?u=https%3A%2F%2Fwww.iep.pt%2Faerogeradores-em-fim-de-vida-que-futuro%2F\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\u00a0<\/a><\/p>\n\n<p>Um artigo IEP por Modesto de Morais e Liliana Alves na revista \u201cO instalador\u201d:<\/p>\n\n<p>Existe em Portugal um conjunto consider\u00e1vel de turbinas e\u00f3licas com uma pot\u00eancia total que supera os 5GW. Isto foi poss\u00edvel por via de um esfor\u00e7o concertado entre o refor\u00e7o das pol\u00edticas para o setor das energias renov\u00e1veis, a exist\u00eancia de investidores dispon\u00edveis e a suficiente maturidade da tecnologia e\u00f3lica. Esta iniciativa tornou poss\u00edvel melhorar consideravelmente a nossa independ\u00eancia energ\u00e9tica face ao exterior, bem como nos garantiu uma economia um pouco mais sustent\u00e1vel. Entretanto, as pol\u00edticas de incentivo ao desenvolvimento das energias renov\u00e1veis intermitentes foram progressivamente reorientadas e agora t\u00eam o seu foco mais no sector fotovoltaico, deixando o setor e\u00f3lico sem uma estrat\u00e9gia de desenvolvimento muito clara. Isto, apesar do per\u00edodo de tarifas bonificadas para a inje\u00e7\u00e3o na rede, dedicadas aos parques e\u00f3licos existentes, terem sido estendidas por mais alguns anos.<\/p>\n\n<p>No setor da energia j\u00e1 n\u00e3o restam d\u00favidas de que, se desejamos intensificar a descarboniza\u00e7\u00e3o da economia (e esta \u00e9 a orienta\u00e7\u00e3o da Uni\u00e3o Europeia), a produ\u00e7\u00e3o de eletricidade com origem e\u00f3lica e fotovoltaica \u00e9 absolutamente necess\u00e1ria e essas duas fontes renov\u00e1veis constituem complementaridade num mix energ\u00e9tico di\u00e1rio. Mas, num mercado com rateio constante dos pre\u00e7os por megawatt hora entre as v\u00e1rias fontes de produ\u00e7\u00e3o de eletricidade, o setor fotovoltaico est\u00e1 a conseguir pre\u00e7os n\u00e3o subsidiados muito mais competitivo do que o e\u00f3lico, permitindo-lhe disponibilizar toda a sua energia nas horas de maior procura e afastando assim o e\u00f3lico para as franjas noturnas nas quais a procura por energia el\u00e9trica \u00e9 tamb\u00e9m menor. Desta forma, mesmo que, para desenvolvimento futuro, os parques e\u00f3licos se tornem mais competitivos, por for\u00e7a da redu\u00e7\u00e3o das incertezas nos seus modelos de neg\u00f3cio (face ao que existia h\u00e1 10 anos) e tamb\u00e9m porque os novos aerogeradores apresentar\u00e3o melhor rendimento e\u00f3lico, esta tecnologia ter\u00e1 alguma dificuldade em sobreviver sem uma pol\u00edtica de subsidia\u00e7\u00e3o que garanta o necess\u00e1rio equil\u00edbrio entre os v\u00e1rios atores de mercado. Efetivamente, se desejamos continuar a desenvolver um mix energ\u00e9tico est\u00e1vel, resiliente e ambientalmente sustent\u00e1vel, n\u00e3o poderemos nunca dispensar o sector e\u00f3lico.<\/p>\n\n<p>Face ao exposto e porque as m\u00e1quinas e\u00f3licas em opera\u00e7\u00e3o, no final do seu per\u00edodo de vida \u00fatil (20 anos) j\u00e1 estar\u00e3o totalmente amortizadas, estando muitas delas em razo\u00e1veis condi\u00e7\u00f5es de opera\u00e7\u00e3o, ser\u00e1 natural que os operadores optem por uma pol\u00edtica de conten\u00e7\u00e3o e forcem a utiliza\u00e7\u00e3o desses mesmo aerogeradores por mais alguns anos, desde que seja poss\u00edvel opera-los em condi\u00e7\u00f5es de seguran\u00e7a.<\/p>\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter\"><img src=\"https:\/\/www.iep.pt\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/Gr%C3%A1fico-1-1024x374.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-8096\"\/><\/figure><\/div>\n\n<p><br\/>Figura 1: Apresenta\u00e7\u00e3o dos parques e\u00f3licos existentes em Portugal distribu\u00eddos por idade.<\/p>\n\n<p>Na figura 1 podemos ver a distribui\u00e7\u00e3o de parques e\u00f3licos em Portugal, para os quais \u00e9 apresentada a sua idade em finais de 2018. Do total desses parques cerca de 72% j\u00e1 est\u00e3o em opera\u00e7\u00e3o h\u00e1 mais de 10. Se, numa situa\u00e7\u00e3o hipot\u00e9tica, n\u00e3o for tomada qualquer iniciativa para mitigar o envelhecimento desses mesmos parques, como podemos ver na figura 2, em 2030 estar\u00e3o fora de opera\u00e7\u00e3o mais de 70% dos parques agora existentes.<\/p>\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter\"><img src=\"https:\/\/www.iep.pt\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/Gr%C3%A1fico-2.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-8094\"\/><\/figure><\/div>\n\n<p><br\/>Figura 2: Evolu\u00e7\u00e3o do decaimento da disponibilidade de parques e\u00f3licos no mercado da energia em Portugal.<\/p>\n\n<p>Sem d\u00favida que, para al\u00e9m dos aspetos pol\u00edtico-econ\u00f3micos j\u00e1 salientados, a extens\u00e3o da vida \u00fatil dos aerogeradores comporta em si mesmo um caracter ambiental (3R), pois estaremos a usar durante mais tempo um recurso, o que consequentemente implica que estaremos a reduzir a emiss\u00e3o de res\u00edduos e a reutilizar esse mesmo recurso.<\/p>\n\n<p>Em tom de conclus\u00e3o gostaria de dizer que \u00e9 urgente existir uma melhor defini\u00e7\u00e3o e maior racionalidade nas pol\u00edticas de incentivo ao desenvolvimento do setor energ\u00e9tico como um todo e em especial no que concerne \u00e0 produ\u00e7\u00e3o de energia renov\u00e1vel em grande escala como \u00e9 caso do setor e\u00f3lico. \u00c9 fundamental eliminar o ru\u00eddo que paira na comunica\u00e7\u00e3o social sobre a subsidia\u00e7\u00e3o do setor e\u00f3lico, pois esses incentivos financeiros continuar\u00e3o a ser necess\u00e1rios, se pretendemos manter o equil\u00edbrio na oferta face \u00e0s limita\u00e7\u00f5es e virtudes de cada uma das formas de produ\u00e7\u00e3o de energia el\u00e9trica renov\u00e1vel. Nenhuma das formas de energia renov\u00e1vel (vento, sol, biomassa, ondas, etc.), por si s\u00f3, garante a necess\u00e1ria estabilidade e seguran\u00e7a no fornecimento de energia el\u00e9trica.<\/p>\n\n<p>Os processos de extens\u00e3o de vida \u00fatil dos aerogeradores constitui-se como uma ferramenta \u00fatil, tanto do ponto de vista econ\u00f3mico como ambiental. Este ainda \u00e9 um processo em fase de desenvolvimento embrion\u00e1rio e que por isso ainda carece de bastante trabalho de investiga\u00e7\u00e3o e desenvolvimento para se encontrarem ferramentas de avalia\u00e7\u00e3o expeditas e \u00e9 necess\u00e1rio construir uma acervo normativo internacional que permita estabelecer uma base de trabalho comum para os organismos t\u00e9cnicos que estar\u00e3o envolvidos no processo.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00a0 Um artigo IEP por Modesto de Morais e Liliana Alves na revista \u201cO instalador\u201d: Existe em Portugal um conjunto consider\u00e1vel de turbinas e\u00f3licas com uma pot\u00eancia total que supera &hellip;<\/p>\n<p class=\"read-more\"> <a class=\"ast-button\" href=\"https:\/\/www.iep.pt\/en\/aerogeradores-em-fim-de-vida-que-futuro\/\"> <span class=\"screen-reader-text\">AEROGERADORES EM FIM DE VIDA: Que futuro?<\/span> Descubra mais<\/a><\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":10294,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"spay_email":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_is_tweetstorm":false,"jetpack_publicize_feature_enabled":true},"categories":[],"tags":[],"acf":[],"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/www.iep.pt\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/Foto-Workshop.png","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.iep.pt\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10591"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.iep.pt\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.iep.pt\/en\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.iep.pt\/en\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.iep.pt\/en\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=10591"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.iep.pt\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10591\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.iep.pt\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media\/10294"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.iep.pt\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=10591"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.iep.pt\/en\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=10591"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.iep.pt\/en\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=10591"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}