{"id":10596,"date":"2019-07-12T15:28:00","date_gmt":"2019-07-12T15:28:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.iep.pt\/a-problematica-do-isolamento-equivalente-a-classe-ii-de-isolamento-em-quadros-de-colunas-quadros-de-centralizacao-de-contagem\/"},"modified":"2021-08-20T16:41:44","modified_gmt":"2021-08-20T16:41:44","slug":"a-problematica-do-isolamento-equivalente-a-classe-ii-de-isolamento-em-quadros-de-colunas-quadros-de-centralizacao-de-contagem","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.iep.pt\/en\/a-problematica-do-isolamento-equivalente-a-classe-ii-de-isolamento-em-quadros-de-colunas-quadros-de-centralizacao-de-contagem\/","title":{"rendered":"A problem\u00e1tica do Isolamento Equivalente \u00e0 Classe II de Isolamento em Quadros de Colunas\/Quadros de Centraliza\u00e7\u00e3o de Contagem"},"content":{"rendered":"\n<p>Em artigo publicado na revista \u201cO instalador\u201d, Anselmo Martins, T\u00e9cnico de Inspe\u00e7\u00f5es do IEP falanos sobre \u201cA problem\u00e1tica do Isolamento Equivalente \u00e0 Classe II de Isolamento em Quadros de Colunas\/Quadros de Centraliza\u00e7\u00e3o de Contagem\u201d.<\/p>\n\n<p>Antes da entrada em vigor da Portaria 949-A\/2006, de 11 de Setembro, que aprovou as Regras T\u00e9cnicas das Instala\u00e7\u00f5es El\u00e9tricas de Baixa Tens\u00e3o (RTIEBT), verificava-se que os quadros de colunas e os quadros de centraliza\u00e7\u00e3o de contagem eram quase na sua totalidade constitu\u00eddos por inv\u00f3lucros met\u00e1licos e da classe I de isolamento, existindo a possibilidade do inv\u00f3lucro met\u00e1lico do quadro ficar sob tens\u00e3o e, em consequ\u00eancia, provocar eletrocuss\u00e3o, porque n\u00e3o existe prote\u00e7\u00e3o diferencial nas instala\u00e7\u00f5es coletivas que coloque o quadro fora de tens\u00e3o. Este problema foi resolvido, na pr\u00e1tica, com a implementa\u00e7\u00e3o de novas medidas de seguran\u00e7a.<\/p>\n\n<p>Com a entrada em vigor da referida Portaria, todos os equipamentos utilizados nas instala\u00e7\u00f5es coletivas passaram a ser obrigatoriamente da classe II de isolamento ou equivalente de acordo com o definido na sec\u00e7\u00e3o 803.2.2 das Regras T\u00e9cnicas das Instala\u00e7\u00f5es El\u00e9ctricas de Baixa Tens\u00e3o.<\/p>\n\n<p>Os fabricantes tiveram, assim, de adaptar o seu processo produtivo face aos novos requisitos. \u00c9 claro que modificar todo um processo que se baseava numa constru\u00e7\u00e3o met\u00e1lica do quadro para uma em material isolante, n\u00e3o \u00e9 simples e traz enormes custos de investimento. O que acabou por acontecer nos in\u00edcios da entrada em vigor desta nova legisla\u00e7\u00e3o, e que hoje em dia ainda se verifica, foi adaptar os quadros da classe I que anteriormente se fabricavam, por uns com isolamento equivalente \u00e0 classe II com inv\u00f3lucro met\u00e1lico. Hoje em dia, a maioria das empresas j\u00e1 mudou o seu processo produtivo e apenas fabrica quadros da classe II de isolamento com inv\u00f3lucro isolante. Esperemos que em breve sejam todas.<\/p>\n\n<p>Voltando agora a esta problem\u00e1tica, na fabrica\u00e7\u00e3o dos quadros com isolamento equivalente \u00e0 classe II e com inv\u00f3lucro met\u00e1lico, basicamente o que foi modificado em rela\u00e7\u00e3o aos quadros da classe I, foi a instala\u00e7\u00e3o de isoladores com uma espessura \u226520mm sobre os suportes que fixam todas as partes ativas, e o condutor de protec\u00e7\u00e3o dos quadros, de forma que o inv\u00f3lucro do quadro n\u00e3o pudesse ficar sob um qualquer potencial ficando, assim, o inv\u00f3lucro isolado de todo o equipamento instalado no seu interior. Este tipo de prote\u00e7\u00e3o por isolamento suplementar \u00e9 permitido pelo processo B-situa\u00e7\u00e3o 3b, do Anexo I das Regras T\u00e9cnicas de Instala\u00e7\u00f5es El\u00e9tricas de Baixa Tens\u00e3o.<\/p>\n\n<p>\u00c9 claro que estes quadros s\u00e3o montados em f\u00e1brica e trazem consigo o respetivo certificado de conformidade. O problema surge muitas vezes depois, na instala\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n<p>Quando o quadro \u00e9 instalado no edif\u00edcio, \u00e9 necess\u00e1rio efetuar a liga\u00e7\u00e3o da alimenta\u00e7\u00e3o da Rede de Distribui\u00e7\u00e3o de Energia El\u00e9trica nos terminais do corte geral do quadro e a liga\u00e7\u00e3o das canaliza\u00e7\u00f5es de sa\u00edda que alimentam a(s) coluna(s) montante(s) e\/ou as instala\u00e7\u00e3o(\u00f5es) diretamente alimentada(s) pelo quadro na(s) caixa(s) de prote\u00e7\u00e3o(\u00f5es) de sa\u00edda(s).<\/p>\n\n<p>Ao longo de v\u00e1rios anos a desempenhar a fun\u00e7\u00e3o de Inspetor de Instala\u00e7\u00f5es El\u00e9tricas no\u00a0<strong>Instituto Eletrot\u00e9cnico Portugu\u00eas<\/strong>\u00a0(Entidade Inspetora de Instala\u00e7\u00f5es El\u00e9tricas-EIIEL), fui constatando que na maioria das vezes existe adultera\u00e7\u00e3o da classe de isolamento do quadro devido \u00e0 m\u00e1 execu\u00e7\u00e3o dessas liga\u00e7\u00f5es. Poderei afirmar que 80% das canaliza\u00e7\u00f5es s\u00e3o efetuadas com condutores com apenas um isolamento (condutor H07V) e as restantes 20% s\u00e3o efetuadas a cabo.<\/p>\n\n<p>As liga\u00e7\u00f5es num quadro de colunas\/quadro de centraliza\u00e7\u00e3o de contagem est\u00e3o sujeitas a diversos intervenientes, desde o T\u00e9cnico Respons\u00e1vel pela instala\u00e7\u00e3o el\u00e9trica que o instala e liga as canaliza\u00e7\u00f5es de sa\u00edda e de entrada no corte geral caso o edif\u00edcio seja dotado de portinhola, o Empreiteiro ao servi\u00e7o do Operador de Rede para a execu\u00e7\u00e3o do ramal, caso n\u00e3o exista portinhola, e que \u00e9 respons\u00e1vel por efectuar a liga\u00e7\u00e3o do cabo nos terminais do corte geral do quadro e, por fim, o prestador de servi\u00e7o do Operador de Rede que \u00e9 respons\u00e1vel pela coloca\u00e7\u00e3o do equipamento de contagem no caso de estar instalado um quadro de centraliza\u00e7\u00e3o de contagem.<\/p>\n\n<p>O trabalho realizado pelo T\u00e9cnico Respons\u00e1vel pela instala\u00e7\u00e3o el\u00e9trica ser\u00e1 validado aquando da certifica\u00e7\u00e3o da instala\u00e7\u00e3o coletiva. \u00c9 assim garantido que n\u00e3o existe adultera\u00e7\u00e3o da classe de isolamento inicial do quadro em todas a liga\u00e7\u00f5es efetuadas. O problema poder\u00e1 existir nas remodela\u00e7\u00f5es de instala\u00e7\u00f5es e que n\u00e3o s\u00e3o alvo de certifica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n<p>O trabalho realizado pelo Empreiteiro ao servi\u00e7o do Operador de Rede apenas ser\u00e1 validado caso o ramal j\u00e1 se encontre executado aquando da certifica\u00e7\u00e3o da instala\u00e7\u00e3o coletiva, caso contr\u00e1rio jamais ser\u00e1 validado podendo existir o risco de adultera\u00e7\u00e3o da classe de isolamento inicial do quadro.<\/p>\n\n<p>O trabalho realizado pelo Prestador de Servi\u00e7o do Operador de Rede pode ser verificado no \u00e2mbito da execu\u00e7\u00e3o das Auditorias do Tipo 4 que o\u00a0<strong>Instituto Eletrot\u00e9cnico Portugu\u00eas<\/strong>\u00a0realiza para a EDP Distribui\u00e7\u00e3o, no entanto este tipo de auditoria n\u00e3o tem como ponto de verifica\u00e7\u00e3o a eventual adultera\u00e7\u00e3o da classe de isolamento do quadro, pelo que esta verifica\u00e7\u00e3o, neste momento, \u00e9 inconsequente.<\/p>\n\n<p>Sendo assim, o maior problema est\u00e1 sempre nas liga\u00e7\u00f5es dos equipamentos de contagem, pois nestes casos n\u00e3o existe nenhum controlo e a quantidade de interven\u00e7\u00f5es num quadro pode chegar \u00e0s dezenas. Da experi\u00eancia em terreno, s\u00e3o poucas as liga\u00e7\u00f5es que n\u00e3o adulteram a classe de isolamento do quadro. Existem quadros de centraliza\u00e7\u00e3o com 20 ou mais sa\u00eddas e muitas delas executadas por t\u00e9cnicos diferentes, com diferentes n\u00edveis de conhecimentos t\u00e9cnicos, por vezes mesmo desconhecimento.<\/p>\n\n<p>Os fabricantes, conhecendo os riscos existentes na eletrifica\u00e7\u00e3o destes quadros em obra, fazem acompanhar o quadro de instru\u00e7\u00f5es onde frisam que as liga\u00e7\u00f5es das entradas e sa\u00eddas dever\u00e3o respeitar os requisitos previstos nas Regras T\u00e9cnicas de Instala\u00e7\u00f5es El\u00e9tricas de Baixa Tens\u00e3o de forma a garantir a classe de isolamento equivalente \u00e0 classe II e que o \u00faltimo Operador n\u00e3o dever\u00e1 modificar a estrutura, quer de constru\u00e7\u00e3o ou eletrifica\u00e7\u00e3o do produto, sob pena de anular os requisitos m\u00ednimos de seguran\u00e7a. Salvaguardam-se assim de uma poss\u00edvel adultera\u00e7\u00e3o da classe de isolamento do quadro devido a uma m\u00e1 execu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n<p>Todo este problema n\u00e3o existiria se os quadros fossem da classe II (com inv\u00f3lucro isolante ou da classe equivalente \u00e0 classe II com o inv\u00f3lucro met\u00e1lico revestido por uma superf\u00edcie isolante, nas zonas onde s\u00e3o efetuadas as liga\u00e7\u00f5es), conforme previsto no Anexo I das Regras T\u00e9cnicas de Instala\u00e7\u00f5es El\u00e9tricas de Baixa Tens\u00e3o. Como infelizmente isso ainda n\u00e3o acontece, conv\u00eam perceber o porqu\u00ea.<\/p>\n\n<p>As situa\u00e7\u00f5es que normalmente encontramos s\u00e3o: condutores ou condutores dos cabos que entretanto foram descarnados para as liga\u00e7\u00f5es, dentro das caixas de liga\u00e7\u00e3o de sa\u00edda\/caixas de centraliza\u00e7\u00e3o de contagem, de isolamento simples (H07V), que s\u00e3o encostados ao inv\u00f3lucro met\u00e1lico do quadro ou n\u00e3o garantem um espa\u00e7amento \u226520mm. Existe assim a possibilidade de um\/v\u00e1rios dos condutores ter o isolamento danificado ou vir a sofrer deteriora\u00e7\u00e3o podendo colocar o inv\u00f3lucro met\u00e1lico do quadro com um potencial existindo risco de eletrocuss\u00e3o.<\/p>\n\n<p>Existem fabricantes que j\u00e1 resolveram estas situa\u00e7\u00f5es implementando um isolamento pelo interior do quadro nas partes mais suscet\u00edveis de serem adulteradas por interven\u00e7\u00e3o de terceiros e outros que acabaram por construir quadros com inv\u00f3lucro isolante eliminando assim, definitivamente, todos estes perigos.<\/p>\n\n<p>Penso que num futuro pr\u00f3ximo todos os quadros possuir\u00e3o inv\u00f3lucro isolante, mas enquanto isso n\u00e3o acontece cabe-nos, a n\u00f3s t\u00e9cnicos, optar pelos equipamentos que nos d\u00e3o mais garantias no cumprimento da legisla\u00e7\u00e3o e na seguran\u00e7a das instala\u00e7\u00f5es e pessoas.<\/p>\n\n<p>BIBLIOGRAFIA:<\/p>\n\n<ul><li>Portaria n.\u00ba 949-A 2006, de 11 de Setembro;<\/li><li><a href=\"http:\/\/www.quiterios.pt\/\">quiterios.pt<\/a>;<\/li><li><a href=\"https:\/\/www.al-sa.pt\/pt-pt\/\">https:\/\/www.al-sa.pt\/pt-pt\/<\/a><\/li><\/ul>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em artigo publicado na revista \u201cO instalador\u201d, Anselmo Martins, T\u00e9cnico de Inspe\u00e7\u00f5es do IEP falanos sobre \u201cA problem\u00e1tica do Isolamento Equivalente \u00e0 Classe II de Isolamento em Quadros de Colunas\/Quadros &hellip;<\/p>\n<p class=\"read-more\"> <a class=\"ast-button\" href=\"https:\/\/www.iep.pt\/en\/a-problematica-do-isolamento-equivalente-a-classe-ii-de-isolamento-em-quadros-de-colunas-quadros-de-centralizacao-de-contagem\/\"> <span class=\"screen-reader-text\">A problem\u00e1tica do Isolamento Equivalente \u00e0 Classe II de Isolamento em Quadros de Colunas\/Quadros de Centraliza\u00e7\u00e3o de Contagem<\/span> Descubra mais<\/a><\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":10297,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"spay_email":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_is_tweetstorm":false,"jetpack_publicize_feature_enabled":true},"categories":[263],"tags":[],"acf":[],"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/www.iep.pt\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/A-problematica-do-isolamento-equivalente-a-classe-II-de-isolamento-em-quadros-de-colunas_quadros-de-centralizacao-de-contagem-2.png","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.iep.pt\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10596"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.iep.pt\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.iep.pt\/en\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.iep.pt\/en\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.iep.pt\/en\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=10596"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.iep.pt\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10596\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.iep.pt\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media\/10297"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.iep.pt\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=10596"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.iep.pt\/en\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=10596"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.iep.pt\/en\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=10596"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}