No caminho da descarbonização

Por Vasco Nogueira, Head of Department Energy, Efficiency and Renewable IEP

Todos temos assistido a fenómenos naturais adversos, que estão relacionados com o aumento das emissões de gases com efeito de estufa, que tem impacto nas temperaturas globais do planeta. Ainda recentemente foi anunciado que a média de temperaturas registadas na Europa no mês de Julho, foi a mais alta desde que há registos meteorológicos neste continente. Segundo a comunidade científica, estes recordes continuarão a ser batidos no futuro, exigindo de nós, um esfoço na redução das emissões de gases com efeitos de estufa para a atmosfera.
Nessa orientação de raciocínio, a incorporação de medidas que promovam a Eficiência Energética nos processos, e a progressiva implementação de Fontes de Energia Renovável constitui por si só uma contribuição decisiva para este objetivo.
Face a esta problemática, o sector fotovoltaico tem assumido um papel preponderante no desenvolvimento das tecnologias, o que faz com que seja cada vez mais aliciante a construção em grande escala desse tipo de centrais, com capacidade de fornecimento de energia à rede em regime de mercado (sem subsidiação de tarifas). Por este mesmo motivo, deve-se ter em consideração que a otimização do desempenho dessas infraestruturas é absolutamente crítica.
Veja-se recentemente o caso de Portugal, com a colocação em Leilão de cerca de 1.400MW de potência disponível para construção de grandes parques fotovoltaicos, em que a média de preço para a venda de energia gerada por estes parques, atingiu um patamar mínimo mundial que ronda os 20€/MWh. Com estes valores, existirá uma grande pressão em todos aqueles que compõem a cadeia de valor associado a esta área, fazendo assim todo o sentido, avaliar de forma periódica, recorrendo a entidades externas, o desempenho de todos os componentes que fazem parte dos activos do parque fotovoltaico. Só assim, se garantirá o desempenho do parque fotovoltaico no máximo expectável, e deste modo a rentabilidade prevista.
Os ensaios a realizar, de forma sistematizada, avaliarão o desempenho dos módulos fotovoltaicos recorrendo ao flash-test (em condições STD) e aos ensaios de eletroluminescência. Este grupo de ensaios permite medir a evolução do desempenho/eficiência dos módulos fotovoltaicos, bem como também permite indagar sobre as possíveis causas da eventual degradação inusitada.

Obviamente que existem também outros elementos críticos habitualmente designados por “BoS” (Balance-of-System), nomeadamente estruturas de suporte e seguimento, cablagens, elementos de proteção elétrica (string boxes), inversores, ou até mesmo as condições de injeção da energia na rede elétrica, sem a qualidade das quais o desempenho global do sistema ficará seriamente comprometido. Esta entidade externa, poderá desenvolver desde inspeções termográficas aos módulos fotovoltaicos, bem como aos BoS, passando por inspeções de segurança elétrica, medição de Eficiência de Inversores e curvas I-V. Deste modo, através do relatório emitido, a equipa de construção/manutenção pode ser mais incisiva nos pontos-chave a intervir, conseguindo maximizar toda a potencialidade da instalação fotovoltaica.

Esta inspeção, permite que a equipa de manutenção se foque no essencial, avaliando a prioridade das correções, consoante o grau de severidade dos defeitos encontrados. Desta forma, uma entidade de terceira parte, independente, coopera com promotores e equipas de manutenção, de modo a retirar o máximo proveito possível de cada parque solar, maximizando a produção, aumentando a sua vida útil e, consequentemente, aumentando o retorno financeiro do investimento.

Assim, conseguiremos criar um triângulo de responsabilidades, entre investidores, empresas de O&M e entidades inspectoras, que trabalharão em conjunto para manter a performance do parque em níveis de excelência, contribuído deste modo, para uma produção de energia renovável mais eficiente e optimizada, caminhando de mãos dadas para a descarbonização da economia e de um planeta mais sustentável.

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