O custo da eficiência energética e das energias renováveis

O custo da eficiência energética e das energias renováveis

Em artigo publicado na revista “O Instalador” de Outubro escrevemos sobre “O custo da eficiência energética e das energias renováveis”

Quando começamos a escrever este artigo, íamos pelo caminho mais óbvio: “Estamos a esgotar os recursos do planeta”, “o aquecimento global está a agravar-se”…etc., etc., mas depois achamos que estaríamos a abordar mais uma vez esta temática por um prisma já tantas e tantas vezes debatido.

Assim, achamos que deveríamos optar por uma perspetiva diferente.

Certo, é incontornável que os recursos se estão a esgotar e que o aquecimento global se está agravar, mas a grande questão que colocamos é que nenhum destes problemas se resolverá com medidas que economicamente não sejam sustentáveis, as alternativas têm que ter preços suportáveis. Ou seja, na realidade, e tirando uma minoria, disposta a pagar um preço mais elevado por algo mais ecológico, a grande maioria simplesmente não tem poder económico que lhes permita a escolha.

A globalização obriga a que as industrias produzam cada vez mais com custos cada vez mais reduzidos, o que obriga estas a optar pelas soluções mais baratas sob pena de se tornarem menos competitivas.

O grande desafio do momento, não é só investigar, inovar e desenvolver alternativas mais “verdes”, mas estas têm que ser economicamente apelativas, de forma a serem adotadas.

Tomando como exemplo o trabalho que desenvolvemos no IEP ao nível das auditorias energéticas, percebemos que as empresas não as fazem somente porque querem ser mais ecológicas, fazem-nas principalmente porque perceberam que ao efetuarem pequenas alteração e alterando alguns hábitos, os custos energéticos diminuem e aumentam as suas margens.

Todos reconhecemos a importância da implementação das energias renováveis, em complemento à eficiência energética. Estas duas vertentes aliadas, caminham para a evolução da descarbonização da economia diminuindo a nossa pegada ecológica.

Mas à semelhança do que acontece com a eficiência energética também aqui o fator financeiro é o mais relevante, se não vejamos: podemos apresentar o caso da energia eólica cujo custo de produção tem diminuído drasticamente nos últimos anos. Em 2005 o custo da geração de energia eólica era cinco vezes menor do que no final da década de 90 e esta tendência de descida tem-se mantido com a introdução de melhorias técnicas na tecnologia de produção dos aerogeradores.

O IEP tem verificado que, mais uma vez, os custos são a questão primordial. Neste momento a grande questão que temos estudado junto dos parques eólicos é o prolongamento da sua vida útil, em condições de segurança, para além dos 20/25 anos estimados inicialmente, maximizando o investimento do produtor.

O mesmo se passa nos parques fotovoltaicos em que o IEP ajuda na maximização do investimento que passa pela avaliação do desempenho dos painéis que o compõem, assumindo um papel preponderante no desempenho energético do parque, já que permite identificar os painéis, com índices de produção abaixo do expectável, protegendo deste modo o investidor.

A acumulação de poeiras, dejetos de animais, folhas, vegetação em abundância e outros, provocam o sombreamento (total ou parcial) dos painéis fotovoltaicos e dão origem à polarização inversa. Como consequência desta polarização inversa surgem os pontos quentes (hot-spots). Estes pontos quentes causam perdas ao nível da eficiência energética e provocam um maior desgaste físico dos painéis fotovoltaicos.

Só quantificando estes e outros potenciais problemas, é que é possível a intervenção com o objetivo de maximizar a eficiência do sistema produtor de energia fotovoltaica, aumentando a receita produzida por estes sistemas, contribuindo para um aumento mais rápido do retorno dos investimentos realizados.

Podemos ainda falar nos carros elétricos: porque é que neste momento não se vendem somente carros elétricos? Porque as empresas e os clientes individuais continuam a fazer contas ao que é economicamente mais vantajoso, em alguns casos simplesmente não chega a ser alternativa dadas as condicionantes económicas.

Resumindo, neste momento o “Santo Gral” da eficiência energética é descobrir alternativas economicamente mais vantajosas que as ditas alternativas “sujas” para o ambiente. Por muito que se queira dourar a pílula afirmando que se opta pelo que é melhor para o ambiente, a grande maioria das vezes isso só acontece quando é economicamente mais vantajoso.

Scroll to Top