Solar Térmico em Portugal

Dadas as condições atmosféricas em Portugal, nomeadamente o número de horas de radiação solar, comparativamente a outros países da Europa, verificamos que o nosso país, se encontra numa posição privilegiada, quando ponderamos a produção de energia térmica recorrendo à tecnologia solar. Se analisarmos o Mapa de Radiação Solar na Europa (kWh/m² ), verifica-se que Portugal apresenta-se como um país com maior disponibilidade de recurso solar.

Se tivermos em consideração os custos de energia primária para a produção desta energia térmica e, associado a isto, as condições anuais de radiação solar privilegiada que existem em Portugal, concluímos que o solar térmico é uma alternativa viável à produção de energia renovável.

A evolução da instalação de sistemas solares térmicos de baixa temperatura, tem tido ao longo dos anos uma evolução crescente, demonstrando assim a viabilidade destes sistemas num país como Portugal. O crescimento será mais acelerado, como demonstrado, por exemplo, nos ano 2009 e 2010, devido aos incentivos financeiros disponibilizados para a instalação de energias renováveis.

Durante o processo de Auditoria Energética a instalações industriais, em diversas situações, a produção de energia térmica torna-se viável com períodos de amortização aceitáveis. Para o aquecimento de água de processo, ao analisarmos uma unidade industrial, em que no processo produtivo há um banho do produto final num tanque com água quente a 60ºC, verifica-se que a instalação de um sistema solar térmico, dá um contributo energético razoável, para o pré-aquecimento da água. Em determinadas alturas do ano consegue também manter a temperatura da água do tanque da água de processo.

Esta central solar térmica, conseguirá colmatar 36% das necessidades de produção de energia para o tanque de água quente, com um retorno de amortização aproximadamente em 8 anos.

Por último, o contributo energético destes sistemas, ajudam a atingir as metas estabelecidas nos Planos de Racionalização de Energia nas unidades industriais.

Para a produção de Água Quente Sanitária (AQS) e água quente para climatização, relativamente às tipologias Lar de Idosos, Hotéis, Escolas, dado o perfil de consumos, verifica-se que os sistemas solares térmicos, apresentam um grande contributo energético, melhorando assim a estrutura de custos mensais, apresentando grandes vantagens financeiras e excelentes períodos de retorno de investimento.

É necessário ter em atenção que quando analisamos o perfil de consumo de por exemplo Escolas, e em sistemas solares térmicos é necessário analisar o perfil de consumos com algum cuidado, verifica-se que nos meses de maior produção (Julho e Agosto), estes edifícios não têm consumos de AQS (Água Quente Sanitária).

Deste modo, torna-se bastante pertinente, projetar sistemas capazes de dissipar a energia equivalente à produzida nestes meses.

Custo de manutenção comparativamente ao custo da instalação e da poupança gerada

Para o bom funcionamento dos sistemas solares térmicos, torna-se preponderante a realização de manutenção destes sistemas.

Temos de ter em conta que a manutenção não poderá ser considerada um custo, mas deverá ser vista como uma garantia de produção das centrais.

Não tendo em conta a manutenção corretiva uma vez que esta é bastante imprevisível de quantificar, no que toca a manutenção preventiva, esta poderá apresentar um custo anual próximo dos 6% face ao investimento realizado. Saliente-se que este valor, é um valor médio uma vez que este varia de acordo com a dimensão da central térmica.

Durante a fase de operação, verifica-se em Auditorias Energéticas aquando da avaliação ao funcionamento dos sistemas produtores de energia térmica, que existem por vezes falhas na manutenção e operação dos sistemas, nomeadamente da dissipação nos meses de não consumo. Por exemplo, quando analisamos uma Escola, para os meses de Julho e Agosto, deverão existir equipamentos capazes de dissipar a energia produzida (dissipadores de calor), ou capazes de redirecionar a produção de energia térmica para ser dissipada em tanques de piscinas interiores, por exemplo.

No caso de não existir forma de dissipar a energia produzida, estes sistemas entram em stress térmico, atingindo o coletor solar a temperatura de estagnação. Quando esta situação acontece, o sistema de bombagem do primário para e como tal, existirá um aumento da pressão e consequentemente a descarga do glicol do circuito primário.

Na manhã seguinte, após o arrefecimento noturno nos coletores, a bomba solar do circuito primário irá arrancar, sem pressão no circuito primário, levando a bomba a funcionar em “seco”, queimando as suas pás.

Poder-se-á evitar danificar a bomba, no caso de existência de um pressostato de mínima. Contudo, o sistema não arrancará e não dissipará a energia proveniente dos coletores solares, levando ao seu sobreaquecimento, danificando-os.

Em diversas situações, estes problemas de projeto/instalação, colocam em causa a credibilidade dos sistemas solares térmicos, reduzindo assim a confiança dos seus potenciais utilizadores.

Torna-se assim necessário, continuar a apostar na formação e sensibilização de todos os técnicos, para uma melhor instalação, manutenção e exploração de todos os sistemas solares.

Conclusões

Portugal é um país privilegiado, no que concerne às condições climatéricas, comparativamente a outros países da Europa, conseguindo bons indicadores relativamente à radiação solar existente.

Deste modo, o nosso país consegue ser um excelente produtor de energia térmica renovável, recorrendo a sistema solares térmicos.

A utilização destes sistemas é bastante diversificada, podendo ser aplicado em tipologias diversas, como Lar de Idosos, Escolas, Hotéis ou até mesmo em algumas unidades industriais.

Para estes sistemas solares térmicos, temos de ter em conta o perfil de consumo ajustado à realidade na fase de projeto e prever se necessário, sistema de dissipação para se evitar temperaturas de estagnação e consequentemente paragens dos sistemas solares térmicos.

Por último, a manutenção torna-se uma área preponderante para garantir a produção de energia térmica dos sistemas e garantir assim a credibilidade de todo o sistema.

O IEP realiza Auditorias e diagnósticos Energéticos e elabora de Planos de Racionalização de Energia.

Na sua realização faz a avaliação dos consumos energéticos e identifica as formas de levar a cabo possíveis reduções, elementos fundamentais para a apresentação dos respetivos planos de redução e otimização de consumos energéticos (planos de racionalização de energia).com impacto direto nos custos energéticos das organizações.

Contacte-nos: info@iep.pt ou 229 570 000.

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