Congresso
Os Grandes desafios estratégicos de Portugal
30 SET. 2026 | CASA DA MÚSICA | PORTO
Os Grandes
Desafios
Estratégicos
de Portugal
Energia, Defesa e Infraestruturas do Futuro
Um espaço de referência para discutir o futuro da energia, da defesa e das infraestruturas críticas.
Defesa, energia, infraestruturas, dados e inovação estiveram no centro do Congresso “Os Grandes Desafios Estratégicos de Portugal”, promovido pelo IEP – Instituto Electrotécnico Português, no âmbito das comemorações do seu 45.º aniversário.
O encontro reuniu, na Casa da Música, no Porto, especialistas, decisores e representantes de algumas das principais organizações nacionais para debater as escolhas que podem determinar a competitividade e a autonomia estratégica de Portugal nas próximas décadas.
Programa
completo
Os Grandes Desafios Estratégicos de Portugal
Energia, Defesa e Infraestruturas do Futuro
30 de setembro de 2026 | Início: 9h00
Casa da música, porto
Manhã
09:15 | Abertura institucional
Senhora Vereadora Engª Manuela Álvares, Câmara Municipal de Matosinhos
Eng.º Carlos Cardoso, Presidente do IEP
10:00 | Keynote speaker
Confirmado:
Dr. Pedro Siza Vieira
10:45 | Coffee-Break
11:15 | Painel sobre “Defesa, Indústria e Autonomia Estratégica”
Prof. Doutor Ricardo Pinheiro Alves, Presidente da idD Portugal Defence
Major-General Tiago Vasconcelos, Professor Auxiliar Convidado (ISCSP – ULisboa)
Dr. Pedro Machado, Vice-Presidente da CCDR-Norte
Dr. Vasco Lobo, Diretor Executivo da EID
Dr. Pedro Folgado, Vice-Presidente do Conselho de Administração do Metropolitano de Lisboa
Moderador: Eng.º Cipriano Lomba, Administrador do IEP
12:30 | Intervalo para almoço (incluído)
Tarde
14:30 | Painel sobre “Os Desafios da Rede Elétrica do Futuro”
Eng.º Pedro de Sampaio Nunes, Membro do Conselho Consultivo do iLab
Prof. Doutor Pedro Carvalho, Instituto Superior Técnico
Prof. Doutor João Peças Lopes, Membro do Conselho de Administração do INESC TEC
Eng.º João Martins de Carvalho, Membro do Conselho Executivo da E-REDES
Moderador: Eng.º Ferreira Pinto, Administrador do IEP
15:30 | Painel sobre “Portugal como Hub Global de Comunicações, Dados e Inovação”
Prof. Doutor João Barros, Presidente da AI2
Eng.º José Pedro Nascimento, CTO da MEO
Eng.º André Rodrigues, Country Lead da Amazon Web Services (AWS) Portugal
Eng.º Filipe Barreiro, Director of Operations at Start Campus | Delivering Sustainable AI-Scale Data Centers
Prof.ª Dr.ª Isabel Praça, Professora no ISEP e Pró-Reitora para a Ciência, Tecnologia e Desenvolvimento da Universidade Técnica do Porto
Eng.º José Pedro Borrego, Diretor-Geral Adjunto de Informação e Inovação da ANACOM
Moderador: Eng.º Paulo Firmeza, Administrador do IEP
17:00 | Sessão de encerramento
Dr. Jorge Serra, Diretor-Geral do IEP
17:15 | Cocktail e celebração do 45.º aniversário do IEP
Programa do congresso
(em atualização)
09:15 – 10:00 Abertura institucional
10:00 – 10:45 Keynote speaker
10:45 – 11:15 Coffee-Break
11:15 – 12:30 Painel sobre “Defesa, Indústria e Autonomia Estratégica”
Confirmados:
Prof. Doutor Ricardo Pinheiro Alves, Presidente da idD Portugal Defence
Major General Tiago Vasconcelos
12:30 – 14:30 Intervalo para almoço
14:30 – 15:30 Painel sobre “Os Desafios da Rede Elétrica do Futuro”
Confirmados:
Eng.º Pedro de Sampaio Nunes
Prof. Doutor Pedro Carvalho, Instituto Superior Técnico
15:30 – 16:45 Painel sobre “Portugal como Hub Global de Comunicações, Dados e Inovação”
Confirmado:
Prof. Doutor João Barros, Presidente da AI2
16:45 – 17:00 Sessão de encerramento
17:00 Cocktail e celebração do 45.º aniversário
Apoio institucional
Por que participar
no congresso?
Um encontro de referência para refletir sobre os grandes desafios estratégicos de Portugal e promover o diálogo entre especialistas, decisores e líderes de diferentes setores.
Fotografias do Congresso
Recorde alguns momentos do Congresso “Os Grandes Desafios Estratégicos de Portugal”.
Perguntas & Respostas
Durante o Congresso foram colocadas várias questões aos oradores que não foi possível responder durante as sessões. Reunimos aqui as respostas às questões que ficaram por responder.
No sentido de possuir toda a panóplia de capacidades militares convencionais e nucleares e a capacidade industrial para comandar a sua produção, a autonomia estratégica está apenas ao alcance de um número muito reduzido (2 ou 3, no máximo) de grandes potências ou superpotências. Mas, mesmo sem falar em artigos de menor valor acrescentado que pode importar sem riscos sérios de rotura do abastecimento, nos dias de hoje mesmo uma superpotência não controla tudo. Há sempre um mineral crítico ou um elemento qualquer que apenas existe num qualquer país mais ou menos recôndito do planeta. Evidentemente que o grau de autonomia ou de autossuficiência dos EUA é muito maior que o de qualquer país europeu. Aliás, se comparamos o peso relativo do comércio externo face ao PIB anual, constatamos como o grau de exposição da EU e dos seus estados-membros ao exterior é maior que o da China e muito maior que o dos EUA. Por outro lado, os EUA não apenas são menos dependentes do exterior, como possuem os recursos – designadamente militares, mas também diplomáticos, económicos e informacionais – para proteger os seus interesses no exterior de uma forma que pura e simplesmente mais nenhum país do mundo consegue neste momento. Em todo o caso, mesmo sendo o seu grau de dependência relativamente pequeno, os EUA querem diminuí-lo: através de agressivas políticas comerciais e industriais os EUA estão claramente a tentar diminuir ao máximo as suas dependências, procurando trazer para os EUA (onshoring) ou para localizações amigas (friendshoring) ou mais próximas (nearshoring) as cadeias de abastecimento que considera mais críticas. Se os EUA vai ser bem-sucedido neste esforço, se o de-risking se transforma em decoupling e à globalização pós fim da Guerra Fria vamos voltar a um mundo de blocos e quais, é algo que ainda não sabemos. Como não sabemos qual a “meta” na competição pela superinteligência, nem se haverá um vencedor nítido, nem se a eventual vitória terá consequências decisivas e duradoiras em termos geopolíticos.
Como é que um país pequeno como Portugal se posiciona para tirar partido das suas vantagens comparativas é algo que deixo para os meus colegas de painel, mas tentarei deixar alguns comentários. Um país da nossa escala demográfica, como a Suécia, mas ao contrário de nós altamente industrializado, consegue construir aviões de caça (o SAAB Grippen) e outros artigos completos principais. Isso para já está completamente fora do nosso alcance. Mas entre as novas capacidades e valências indispensáveis nos conflitos modernos – espaço, drones e outros – Portugal, certas empresas portuguesas, tem demonstrado capacidade para ser um player muito interessante. E pode ter (eu diria, face a alguns bons exemplos que temos, continuar a ter e mesmo aumentar a) relevância em certos segmentos de maior valor das cadeias de produção/abastecimento. O que é que o Estado pode/deve fazer para incentivar, apoiar e desbloquear barreiras burocráticas e outras que dificultam sem necessidade a vida dos agentes privados e dificultam a afirmação do nosso talento, remeto para a intervenção do Dr. Pedro Siza Vieira. Sobre a forma como as participações que o Estado Português detém em indústrias de Defesa (de que a parceria com a EMBRAER que tem o seu centro de gravidade na OGMA mas vai para além disso, ou a EID, são exemplos muito positivos), parece-me existir no painel pessoas mais bem posicionadas para falar que eu.
Sinceramente não sei se as causas do nosso atraso (no sentido de ainda não termos conseguido convergir com a média da EU) decorre fundamentalmente de eventuais disfuncionalidades do nosso sistema político-constitucional e da nossa organização política e administrativa. Claro que os fatores do potencial estratégico de um território não são estáticos (uma posição geográfica que era uma vulnerabilidade pode tornar-se de repente numa vantagem e vice-versa, um recurso existente no país pode de repente aumentar exponencialmente o seu valor e vice-versa, etc.), mas, mesmo sem saber exatamente quais são, tendo a pensar que podem existir certos fatores estruturais que não são fáceis de ultrapassar por razões geográficas, económicas, culturais e outras. Porque é que historicamente os estados de Nova Iorque ou da Califórnia são tão mais ricos em termos per capita (ou seja, porque se concentram nestes estados atividades de maior valor acrescentado) que a maior parte dos estados do Midwest? Claro que isto não é – não pode ser – uma desculpa para sermos complacentes. Ou para não termos a estratégia adequada. Devemos ambicionar sempre mais. E claro que devemos ser exigentes com os nossos políticos, mesmo não colocando sobre eles todo o ónus do que corre menos bem no nosso país.
A bússola estratégica da EU (atenção que muito em breve deverá ser publicada uma nova versão da “estratégia de segurança” da EU) é um documento interessante e útil, mas não nos deve ofuscar para a circunstância de que, apesar da EU ter uma dimensão de ação externa, e de uma das componentes dessa ação ser a política externa e de segurança comum que inclui uma política comum de segurança e defesa, a segurança nacional é uma responsabilidade exclusiva dos estados-membros. A pergunta é muito interessante, porque a ZEE não são águas territoriais, ou seja, Portugal exerce alguma jurisdição sobre a ZEE, que aliás partilha com a EU, mas não se trata da jurisdição soberana que exerce sobre o seu território.
A EID tem uma experiência consolidada no desenvolvimento e integração de sistemas de comunicações seguras e resilientes para ambientes exigentes, nomeadamente nos setores da Defesa e da Segurança, onde a continuidade das comunicações é um requisito operacional crítico. Importa, contudo, reconhecer que os desafios associados às comunicações de emergência e proteção civil não dependem apenas de tecnologia. Envolvem igualmente aspectos de coordenação institucional, modelos de operação, investimento continuado e adaptação às necessidades específicas dos diferentes agentes de proteção e socorro.
Neste contexto, a EID está preparada para contribuir para esse esforço coletivo, apoiando o desenvolvimento de soluções mais resilientes, seguras e interoperáveis que reforcem a capacidade de resposta do país em situações de emergência, catástrofe ou crise. A experiência adquirida em projetos como a disponibilização da denominada “caixa mágica”, utilizada para garantir comunicações robustas e interoperáveis durante as Jornadas Mundiais da Juventude (com a visita do Papa), demonstra como a inovação tecnológica nacional pode apoiar eficazmente operações complexas de proteção civil, segurança e gestão de grandes eventos.
Neste momento, nenhum estaleiro em Portugal, mesmo os de Viana do Castelo, tem capacidade para construir um navio como uma fragata. Em todo o caso, uma excelente parceria com a Marinha Portuguesa tem permitido aos ENVC fornecerem vários navios patrulha oceânicos, no processo adquirindo um importante know-how sobre os requisitos específicos dos navios militares.
A modernização da Marinha representa uma oportunidade importante para fortalecer a Base Tecnológica e Industrial de Defesa nacional e potenciar a participação da indústria portuguesa em programas de elevado valor acrescentado. Como exemplo, os Estaleiros de Viana de Castelo estão a construir 6 novos navios de patrulha oceânica (NPOs), onde a EID participa ativamente no projeto.
Em relação às 3 novas fragatas, elas vão também dinamizar parte da indústria portuguesa, estando a EID preparada para colaborar neste projeto. Contudo, as fragatas não serão construídas em Portugal, pois a definição do local de construção resulta de múltiplos fatores, incluindo requisitos operacionais, calendários de entrega, custos, capacidades industriais instaladas e acordos entre as entidades envolvidas.
Uma capacidade militar é mais, mas mesmo muito mais, do que simplesmente o equipamento. Doutrina de emprego, organização, treino, infraestruturas, liderança, pessoal qualificado são tão ou mais importantes que o material. No fundo, tudo isto é indispensável, a chave sendo o equilíbrio, para que uma despesa excessiva na aquisição do material não esgote os recursos financeiros que seriam necessários para a formação e treino, adequação das infraestruturas, gestão do ciclo de vida do equipamento, etc. O instrumento SAFE é um dos dois principais instrumentos do plano de prontidão 2030, que também inclui a derrogação de algumas cláusulas do pacto de estabilidade e crescimento, permitindo a um país não ser submetido a um procedimento de défice excessivo se dentro de certos limites o endividamento tiver resultado de despesas de defesa. A Comissão Europeia estimou que esta derrogação, a ser efetivamente utilizada pelos estados-membros na sua máxima extensão, permitiria mobilizar mais algumas centenas de milhares de milhões de euros. Ao contrário do SAFE, porém, que “esgotou” rapidamente, a utilização desta derrogação tem vindo a ser feita por apenas alguns estados-membros e nem sempre na totalidade do que o poderiam fazer, por razões muito compreensíveis aliás. Enfim, o SAFE não visa propriamente aumentar a autonomia estratégica dos estados-membros. Visa sim uma maior capacitação dos estados-membros, numa ótica de aumento da autonomia estratégica europeia. E alguma coisa está a acontecer nesse âmbito, embora muitos países (a Alemanha é talvez o caso mais óbvio) não estiveram à espera do plano de prontidão para iniciarem políticas de rearmamento muito importantes e significativas.
Precisaria de ter o fenómeno razoavelmente caracterizado com dados objetivos para emitir uma opinião fundamentada. Reconheço que o fenómeno terá alguma dimensão problemática, mas gostava de perceber se há mesmo uma fuga de talentos e que impacto isso tem, se algum, no crescimento potencial e/ou efetivo do nosso país (a ser um problema, as soluções serão sempre multifacetadas; para as eventuais dimensões problemáticas do fenómeno há algumas políticas públicas a fazerem o seu caminho, as quais também teriam de ser avaliadas). A minha intuição é que é talvez maior a dramatização que o efeito real. Ao mesmo tempo, gosto de pensar que é um problema bom. É desde logo sinal de que a formação ministrada em Portugal aos nossos jovens economistas, gestores, engenheiros, médicos, etc. é de boa qualidade e reconhecida na Europa. A mobilidade dos nossos jovens também é em grande parte uma consequência de escolhas que fizemos ao longo de décadas, a nossa opção europeia, a opção por uma via de modernidade, de liberdade, democracia. Muitos jovens possivelmente escolheriam o caminho de trabalhar fora de Portugal, mesmo se as remunerações fossem as mesmas. É uma experiência enriquecedora. Muitos vão e voltam e trazem know-how organizacional, de processos e outros. O caminho para remunerações similares às que se praticam em países mais ricos é em última análise o caminho da convergência com a média europeia, o aumento da produtividade da nossa economia. Está tudo bem? Não. Está tudo mal? Também não. Nem dramatização, nem complacência. Diagnósticos objetivos, estratégia adequada e foco.
Esta pergunta de algum modo toca questões que já foram colocadas e respondidas anteriormente. Acrescentaria apenas que me parece – não sou economista, espero não estar a dizer uma grande asneira – que onde quer que a nossa economia se posicione em termos de valor acrescentado (e claro que todos queremos que ele seja tão elevado quanto possível), no mundo atual e numa economia tão aberta como a nossa a preocupação com a competitividade tem de estar sempre lá.
Tudo faz sentido dependendo do que for a prioridade. Se a prioridade for a segurança numa ótica de sobrevivência num mundo em que as trocas e as interdependências se transformam em instrumentos de coação ilegítima por parte do mais forte ou de quem detém a chave do cofre, o fechamento e a organização para a sobrevivência podem impor a adoção de políticas comerciais e industriais extremamente agressivas, economias de guerra até. Esperemos que os decisores políticos, principalmente nas grandes potências, façam o seu trabalho para resolver pacificamente eventuais conflitos de interesses, para que não tenhamos de chegar a esse ponto.
Em política não há contra factual (uma ferramenta que em todo o caso tem a sua utilidade e é frequentemente utilizada em termos académicos). A resposta às urgências, tenham elas sido bem ou mal avaliadas, quase sempre afeta os recursos que estavam programados para outras coisas. Mais ou menos adequada, essa resposta, os seus efeitos diretos e indiretos, farão com que a nova realidade criada seja diferente daquilo que seria de outro modo. É a vida.
O Estado-Maior-General das Forças Armadas e os ramos das Forças Armadas possuem uma grande diversidade de redes fixas e móveis, diversas tecnologias, que permitem o transporte de voz e/ou o transporte de praticamente todos os tipos de dados. Qualquer navio da Marinha, seja em que parte do mundo esteja a operar, tem de manter comunicações com o Comando Naval em Lisboa, por exemplo. As FND têm diversos tipos de ligação que permitem o exercício da cadeia de comando nacional. Todos os ramos têm as suas redes táticas, muitas vezes mais do que uma. A maior parte se não a totalidade das viaturas de combate tem rádio e integra redes rádio. A segurança de cada rede também é uma preocupação. Nem todas as redes estão credenciadas para, por exemplo, suportar tráfego CONFIDENCIAL ou SECRETO, seja nacional, NATO ou EU.
As Forças Armadas dispõem de diversas redes e sistemas de comunicações militares, desenvolvidos para responder a requisitos específicos de segurança, soberania, disponibilidade e operação em ambientes exigentes, tanto em território nacional como em missões internacionais. A evolução tecnológica tem conduzido a uma crescente integração de diferentes meios de comunicação, incluindo redes táticas, sistemas satélite, comunicações seguras e infraestruturas digitais avançadas, assegurando elevados níveis de resiliência e continuidade operacional.
Mais do que a existência de uma única rede equivalente ao SIRESP, a Defesa, tanto quanto podemos considerar, privilegia uma arquitetura de comunicações adaptada à diversidade das missões militares e articulada com os compromissos internacionais de Portugal, nomeadamente no âmbito da NATO e da União Europeia. Paralelamente, continua a existir espaço para aprofundar sinergias entre os sistemas das áreas da Defesa, Segurança Interna e Proteção Civil, sempre que tal contribua para uma resposta mais eficaz às necessidades nacionais.
Para Portugal se afirmar como um Hub Global de Comunicações, Dados e Inovação, temos de transformar a nossa vantagem geográfica numa vantagem económica e tecnológica. E isso exige ações concretas por parte das empresas portuguesas.
A primeira é continuar a investir nas infraestruturas digitais críticas que ligam Portugal ao mundo. Portugal tem uma localização atlântica privilegiada, mas não basta que os cabos cheguem à nossa costa. Temos de criar redundância, capacidade internacional e interligação com data centres e cloud, para que Portugal seja não apenas um ponto de passagem. Na MEO, o projeto PISCES, por exemplo, parte precisamente desta lógica: reforçar a ligação entre Portugal e a Irlanda, aumentar a resiliência e autonomia digital e fortalecer Portugal enquanto hub atlântico.
A segunda ação é subir na cadeia de valor. A conectividade é a fundação, mas o valor económico estará cada vez mais na inteligência que colocamos sobre essa infraestrutura: cloud, inteligência artificial, cibersegurança, edge computing, automação e serviços digitais. É também neste sentido que a estratégia da MEO Empresas aponta para uma evolução de Telco para TechCo, conjugando conectividade com IA, Cloud e Cibersegurança
Terceiro, precisamos de fazer de Portugal um país que cria tecnologia e não apenas um país que a consome ou acolhe. Temos capacidade tecnológica nacional que pode ser internacionalizada. A Altice Labs, a partir de Portugal, trabalha hoje em áreas como 5G, IA, cibersegurança, edge computing, redes autónomas e soberania digital. E este modelo deve ser multiplicado: empresas, universidades, centros de investigação e startups a desenvolver conjuntamente tecnologia, propriedade intelectual e produtos concebidos em Portugal para mercados globais.
A quarta prioridade é talento. Se quisermos competir apenas pelo custo, haverá sempre outro país mais barato.
Não existe verdadeira liderança tecnológica sem inclusã..
Para Portugal se afirmar como Hub Global de Comunicações, precisamos obviamente de estar na primeira linha do 5G, da fibra, da inteligência artificial e das redes de nova geração.
Na MEO, a resposta passa precisamente pela modernização continuada das redes. No móvel, a MEO descontinuou comercialmente o 3G no primeiro semestre de 2024 e reutilizou espectro para reforçar o 4G. No final desse ano, aproximadamente 99,9% da população tinha cobertura 4G e 96% cobertura 5G.
Mas há outra dimensão que considero particularmente importante: coesão territorial. Os Açores são um bom exemplo em que , 100% da população coberta por 4G e 87,7% por 5G, estando previsto para 2026-2027 um programa de modernização e expansão da rede móvel no arquipélago.
Quanto mais transversal for a conectividade de qualidade, maior é a base sobre a qual podemos digitalizar PME, desenvolver novos serviços e permitir que empresas fora dos grandes centros participem na economia digital.
É assim que eu vejo o papel da MEO: construir a infraestrutura do futuro sem deixar territórios ou pessoas presas ao passado.
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