Congresso dos 45 anos do IEP colocou em debate os grandes desafios estratégicos de Portugal

Congresso dos 45 anos do IEP colocou em debate os grandes desafios estratégicos de Portugal

Defesa, energia, infraestruturas, dados e inovação estiveram no centro do Congresso “Os Grandes Desafios Estratégicos de Portugal”, promovido pelo IEP – Instituto Electrotécnico Português, no âmbito das comemorações do seu 45.º aniversário. O encontro reuniu, na Casa da Música, no Porto, especialistas, decisores e representantes de algumas das principais organizações nacionais para debater as escolhas que podem determinar a competitividade e a autonomia estratégica de Portugal nas próximas décadas.

Num contexto internacional marcado por profundas transformações geopolíticas, tecnológicas e energéticas, o Congresso “Os Grandes Desafios Estratégicos de Portugal – Energia, Defesa e Infraestruturas do Futuro” criou um espaço de reflexão sobre o posicionamento do país num mundo cada vez mais competitivo.

Realizado a 30 de setembro, na Casa da Música, o encontro assinalou os 45 anos do IEP e estruturou o debate em torno de três áreas determinantes para o futuro: Defesa, Indústria e Autonomia Estratégica; Rede Elétrica do Futuro; e Portugal como Hub Global de Comunicações, Dados e Inovação.

A sessão de abertura institucional contou com as intervenções da Vereadora da Câmara Municipal de Matosinhos, Eng.ª Manuela Álvares e do Presidente do Conselho de Administração do IEP, Eng.º Carlos Cardoso.

 

Transformar as vantagens de Portugal em criação de valor

A sessão contou com uma intervenção de Pedro Siza Vieira, ex-Ministro de Estado, da Economia e da Transição Digital, que lançou a reflexão sobre a capacidade de Portugal gerar mais valor acrescentado a partir dos recursos, competências e vantagens competitivas de que dispõe.

Uma ideia acabaria por atravessar os diferentes debates do Congresso: Portugal dispõe de ativos relevantes – posição geográfica, energia renovável, conectividade, talento e conhecimento – mas o verdadeiro desafio está em transformar essas vantagens em indústria, capacidade tecnológica, inovação e criação de valor.

Mais do que atrair investimento ou acolher novas infraestruturas, importa assegurar que esse investimento contribui para reforçar as competências nacionais e posicionar Portugal em cadeias de valor estratégicas.

 

Defesa: uma oportunidade para reforçar a indústria e a autonomia estratégica

No primeiro painel, dedicado a “Defesa, Indústria e Autonomia Estratégica”, o debate incidiu sobre o novo contexto europeu e sobre a oportunidade que o aumento do investimento em Defesa representa para o desenvolvimento da base industrial e tecnológica nacional.

A discussão destacou a importância de Portugal identificar as áreas onde possui competências diferenciadoras e criar condições para que as empresas nacionais consigam integrar cadeias internacionais de fornecimento e de valor.

A proteção e resiliência das infraestruturas críticas surgiu igualmente como uma dimensão essencial da autonomia estratégica, num contexto em que energia, comunicações, mobilidade e sistemas digitais assumem uma importância crescente para o funcionamento do país.

O primeiro painel do Congresso, dedicado ao tema “Defesa, Indústria e Autonomia Estratégica”, reuniu o Prof. Doutor Ricardo Pinheiro Alves, Presidente da idD Portugal Defence; o Major-General Tiago Vasconcelos, Professor Auxiliar Convidado do ISCSP – Universidade de Lisboa; o Dr. Pedro Machado, Vice-Presidente da CCDR-Norte; o Dr. Vasco Lobo, Diretor Executivo da EID; e o Dr. Pedro Folgado, Vice-Presidente do Conselho de Administração do Metropolitano de Lisboa. A moderação esteve a cargo do Eng.º Cipriano Lomba, Administrador do IEP.

 

A rede elétrica como infraestrutura estratégica para o futuro

A energia revelou-se um dos temas transversais a todo o Congresso.

No painel “Os Desafios da Rede Elétrica do Futuro”, especialistas do setor analisaram o impacto da eletrificação da economia, do crescimento das energias renováveis e do aparecimento de novos grandes consumidores de energia.

O aumento da procura exigirá uma rede elétrica mais robusta, flexível, resiliente e tecnologicamente evoluída, capaz de integrar uma produção renovável cada vez mais significativa e, simultaneamente, garantir segurança de abastecimento.

O debate evidenciou ainda a importância da flexibilidade, do armazenamento e do investimento nas redes, num momento em que a capacidade do sistema elétrico poderá condicionar a velocidade de desenvolvimento de novos projetos industriais e tecnológicos.

A energia surge, assim, não apenas como uma questão setorial, mas como uma infraestrutura essencial para concretizar outras ambições estratégicas do país.

O segundo painel, dedicado ao tema “Os Desafios da Rede Elétrica do Futuro”, contou com a participação do Eng.º Pedro de Sampaio Nunes, Membro do Conselho Consultivo do iLab; do Prof. Doutor Pedro Carvalho, do Instituto Superior Técnico; do Prof. Doutor João Peças Lopes, Membro do Conselho de Administração do INESC TEC; e do Eng.º João Martins de Carvalho, Membro do Conselho Executivo da E-REDES. A moderação esteve a cargo do Eng.º Ferreira Pinto, Administrador do IEP.

 

Portugal tem condições para ser um hub de dados e inovação. O desafio é criar valor

O último painel, dedicado a “Portugal como Hub Global de Comunicações, Dados e Inovação”, analisou as condições que podem posicionar o país como uma plataforma relevante na nova economia digital.

A localização atlântica, a ligação através de cabos submarinos, a capacidade de produção de energia renovável, as infraestruturas de telecomunicações e a disponibilidade de talento constituem vantagens importantes para Portugal.

Mas receber dados ou instalar centros de dados não será suficiente.

O desafio passa por criar um ecossistema capaz de transformar essas infraestruturas em conhecimento, competências em Inteligência Artificial, cibersegurança, investigação, inovação e atividade económica de maior valor acrescentado.

A disponibilidade de energia e a capacidade das redes para responder ao crescimento dos novos consumos foram também identificadas como fatores determinantes para a concretização deste potencial.

O terceiro e último painel, dedicado ao tema “Portugal como Hub Global de Comunicações, Dados e Inovação”, reuniu o Prof. Doutor João Barros, Presidente da AI2; o Eng.º José Pedro Nascimento, CTO da MEO; o Eng.º André Rodrigues, Country Lead da Amazon Web Services (AWS) Portugal; o Eng.º Filipe Barreiro, Director of Operations da Start Campus; a Prof.ª Dr.ª Isabel Praça, Professora no ISEP e Pró-Reitora para a Ciência, Tecnologia e Desenvolvimento da Universidade Técnica do Porto; e o Eng.º José Pedro Borrego, Diretor-Geral Adjunto de Informação e Inovação da ANACOM. A moderação esteve a cargo do Eng.º Paulo Firmeza, Administrador do IEP.

 

45 anos a ligar conhecimento, tecnologia e indústria

O Congresso integrou as comemorações dos 45 anos do Instituto Electrotécnico Português, assinalando um percurso iniciado em 1981 e construído em estreita ligação com a indústria, a tecnologia e o desenvolvimento de competências técnicas em Portugal.

Ao longo de mais de quatro décadas, o IEP tem acompanhado a evolução tecnológica e industrial do país, apoiando empresas e organizações através das suas diferentes áreas de atividade.

A realização deste Congresso pretendeu, por isso, não apenas celebrar o percurso realizado, mas sobretudo olhar para os próximos desafios e contribuir para o debate sobre o futuro de Portugal.

A sessão de encerramento esteve a cargo de Jorge Fernandes Serra, Diretor-Geral do IEP, seguindo-se um momento de celebração do 45.º aniversário da instituição.

O encontro terminou com uma mensagem clara: num período de transformação acelerada, Portugal dispõe de recursos, conhecimento e competências para assumir um papel relevante nos setores estratégicos do futuro. O desafio é transformar esse potencial em capacidade de execução, criação de valor e competitividade.

Veja algumas fotografias deste evento.