Mobilidade Elétrica em 2018… na primeira pessoa…

  

No último artigo sobre este tema, trouxemos toda a envolvente dos carros elétricos, as perspetivas de mercado para o futuro e a evolução das fontes de geração de energia elétrica.

Desde a anterior abordagem ao tema, até esta, muito tempo passou e novas experiências existiram. 
Desde então, testamos alguns dos modelos mais recentes e mais vendidos do nosso mercado e estamos agora em condições de partilhar as nossas experiências e fazermos um pequeno relato do que é viver no dia-a-dia com um carro elétrico.

Antes de mais, e fazendo um pequeno enquadramento do panorama mundial: os elétricos estão para ficar e cada vez mais se afirmam, mantendo-se a tendência que já tínhamos mencionado no anterior artigo. No gráfico abaixo podemos verificar que esta tendência de crescimento tem sido constante ao longo dos últimos anos.

No nosso entender, existem grandes probabilidades desta tendência se agravar, num futuro cada vez mais próximo, já que as novas normas de emissões, irão, pouco a pouco, tornar os carros de combustão tão caros de produzir, que deixará de compensar a sua produção num horizonte de 10 anos.

Para além disso, o preço das baterias no mesmo período, tendencialmente descerá, e supostamente, serão superadas algumas das suas limitações técnicas atuais.

Não queremos com isto dizer que os carros de combustão deixarão de existir nesse mesmo horizonte temporal, continuarão a ter o seu lugar, para certas aplicações e conforme também foi mencionado no anterior artigo, é impossível com a potência elétrica instalada atualmente alimentar um “shift” total para o veículo elétrico. Voltando aquilo que todos esperam saber: Como é viver no dia-a-dia casa-trabalho-casa com um carro elétrico em 2018 vivendo nos subúrbios de uma capital de distrito? É possível? É economicamente viável?

A resposta é: sim, é possível, desde que, na nossa opinião, não faça mais do que 250km diários. Passamos a explicar: Apesar de já existirem veículos, a preços convidativos, capazes de alegadamente fazerem 350-400km, numa condução normal, descontraída o valor real será à volta de 250-260km.

Não quer dizer que não seja possível fazer 350-400km numa só carga, sobretudo em trajeto citadino, fazendo valer a regeneração na travagem e o menor consumo do motor elétrico a baixa velocidade, mas tendo em conta os imponderáveis e não linearidades da condução humana, quer pelos obstáculos, quer pelo estado de espírito, variará de trajeto para trajeto e de pessoa para pessoa, pelo que os 250km nos parecem um valor mais realista de acordo com os hábitos do condutor médio.

Depois, existe ainda a questão da ansiedade de autonomia. Num carro elétrico, dificilmente arriscamos que a bateria baixe dos 15-10%, isto porque podemos ficar na posição de não ter um ponto de carga perto ou de nos ser impossível gastar o tempo que seria necessário para o carregamento do veículo, sem prejudicar a nossa vida quotidiana.

Posto isto, atualmente, as desvantagens de um carro elétrico, pelo menos dos que testamos, terminam aqui!
As experiências que tivemos foram francamente positivas!

Desde a resposta ao acelerador ser substancialmente melhor e sobretudo mais imediata que qualquer carro de combustão de preço ou segmento equivalente (e até mesmo de muitos de segmentos superiores), até ao silêncio a bordo, ser de facto um upgrade de conforto em relação aos carros normais de combustão interna.

O uso generalizado do carro elétrico poderá implicar uma mudança de mentalidade e hábitos, quer de condução, quer de abastecimento.

Vejamos o exemplo que um condutor de carro elétrico, que apenas tenha ponto de carregamento na empresa, poderá vivenciar:

Determinado dia, optou por não carregar o carro no carregador da empresa até 100%, antes de voltar para casa. Chega ao trabalho no dia seguinte de manhã, com menos de 80% de bateria restante (à volta de 200km de autonomia, num carro de 40kwh).

Entretanto, depois de almoço, inesperadamente, foi necessário fazer uma viagem de 120km (60km em cada sentido) para uma reunião. A ida foi feita em velocidade de cruzeiro, mas na volta, (dado o atraso e a pressa para chegar à empresa), a viagem foi feita numa velocidade superior, ficando apenas com 12% de carga.

Tendo em conta que, nesse dia, o carro ainda teria que fazer o trajeto de volta a casa, e de ida para a empresa no dia seguinte, sem ser carregado (+ 32km).

Tornando-se assim, inviável fazer qualquer desvio ou por exemplo, dar uma boleia a qualquer colega, que implicasse um desvio do trajeto já previsto.

Esta situação é um bom exemplo de que “homem prevenido vale por dois” e que no caso dos carros elétricos devemos sempre precaver imponderáveis e tentar ter o veículo o mais carregado possível, para evitar estas situações, ou outras piores!

Isto seguramente implicará uma alteração dos hábitos em relação ao que estamos familiarizados com um carro de combustão interna.

Do ponto de vista económico, gostaríamos de ressalvar, que contas feitas, (quer por nós, quer por outras entidades), para as empresas, e num horizonte temporal de 5 anos, um carro elétrico de 5 lugares neste momento compensa sobremaneira (desde que se consiga sobreviver com estas limitações), mesmo em relação a um comercial a gasóleo de 2 lugares.

Se não vejamos:

• Normal desconto de frota

• Custos da manutenção (substancial e
realmente mais baixos)

• Isenção do ISV

• Abatimento da totalidade do IVA

• Estacionamento gratuito em algumas cidades

• Para as primeiras 1000 matrículas do ano um incentivo de 2250€ oferecido pelo estado

• Carregamentos (ainda) gratuitos na rede
MOBI-E.

• Consumos


Relativamente ao consumo, notamos que é perfeitamente exequível gastar menos de 2.5€ (considerando o preço da tarifa doméstica mais desfavorável) por cada 100km percorridos, valor esse, que diminuirá consideravelmente no caso de empresas que tenham uma tarifa melhor do que a utilizada para efetuar este cálculo.

Para privados, economicamente ainda não será tão favorável, dado que os incentivos a que conseguem aceder são muito menores e o preço de venda a público dos veículos elétricos é ainda bastante elevado, no entanto é uma questão a ponderar caso a caso.

No entanto, e observando o gráfico abaixo, podemos verificar que num futuro próximo (menos de 10 anos) pensa-se que os custos de produção dos veículos elétricos serão mais baixos do que qualquer carro de combustão, conforme mostram vários estudos de mercado.

Uma curiosidade que gostávamos de apontar é o facto de existirem uma série de funcionalidades nos carros elétricos mais caros, que por uma questão de baixar custos de fabrico, estão ausentes nos automóveis mais económicos e não estamos a falar do óbvio, os confortos e o tamanho da baterias, mas de aspetos mais técnicos que se notam quando se tenta levar a tecnologia ao limite.

Notamos, por exemplo, que durante a nossa experiência com um carro do segmento mais económico, este não tinha um sistema de refrigeração ativo das baterias tão eficiente como outros mais premium, aquando dos carregamentos rápidos. Assim, este tipo de carregamentos, apesar de possível, fica mais limitado.

Enquanto nos carros mais caros, ao efetuar um carregamento rápido, é ativado um sistema de refrigeração das baterias (com ventoinhas bem audíveis), num veículo mais barato, quando estas começam a aquecer e a dissipação existente não consegue escoar o calor, a velocidade de carregamento diminui através da diminuição da corrente para preservar a saúde e longevidade das mesmas, algo que, apesar de acontecer nos carros mais caros não é tão notório. Esta é uma das muitas alterações ao produto para conseguir um menor custo do veículo sem que por isso tenham menor autonomia com uma só carga (que é o mais importante para o consumidor). Mas esta situação só se torna relevante para quem utilizar intensivamente o veículo elétrico para fazer viagens diárias cujo trajeto seja acima da sua autonomia com apenas uma carga (daí o limite de 250km em média que mencionamos no início do artigo). Num modelo em particular reparamos que após dois carregamentos rápidos no mesmo dia, o 3o já não foi “rápido” apesar do carregador o permitir.

Felizmente a nova tecnologia de baterias com eletrólitos em vidro e outras tecnologias emergentes permitirão resolver estas limitações.
Para finalizar e para aqueles que acham, que possuir um carro elétrico é apenas para quem tem uma moradia, (pois só assim o poderiam carregar na garagem privativa), gostávamos de acrescentar que existe um decreto-lei que regulariza a instalação e legitimidade de direito à instalação de pontos de carregamento de veículos elétricos em garagens comuns, ligadas à energia elétrica do condomínio, desde que obviamente quer os custos de instalação do ponto de carregamento, quer os custos energéticos sejam suportados pelo utente do mesmo.

Para mais informação, o ideal será consultar o Decreto-Lei n.o 39/2010, de 26 de abril, artigo no29 – Pontos de carregamento em edifícios existentes.
Abaixo neste artigo deixamos vários endereços para documentação que julgamos importante consultar neste âmbito, inclusive um exemplo de minuta de pedido ao condomínio para instalação do ponto de carregamento.

Para as empresas, a instalação de um carregador rápido afigura-se simples, desde que, exista um logradouro ou pátio que permita ao carro permanecer parado em segurança o tempo necessário.

Para a sua instalação basta uma ligação (com cablagem de secção apropriada e devidamente protegida) preferencialmente ligada ao quadro principal, a potência contratada terá que ser suficiente para fazer face às necessidades energéticas do carregador rápido (7kwh, 22kwh, 50kwh, etc) sem causar impacto no restante funcionamento da empresa.

Neste contexto, aproveitamos ainda para informar que o IEP, numa tentativa constante de ir ao encontro das necessidades dos seus clientes, e tendo em conta a tendência de crescimento deste mercado, lançou recentemente um curso subordinado ao tema “Instalações Elétricas para Carregamento de Veículos Elétricos”.

Que venha 2019 e que o mercado dos veículos elétricos continue a evoluir e a responder positivamente como até aqui! O ambiente agradece!

Para saber mais, consulte os seguintes links:Minuta condomínio: https://www.uve.pt/page/wp-content/uploads/2016/01/Minuta_ponto_de_carga.docx
Decreto Lei 90/2014:
https://www.uve.pt/page/wp-content/uploads/2015/12/DecLei-n90-2014.pdfGuia Técnico das Instalações Elétricas para alimentação de veículos elétricos: https://www.google.pt/url?sa=t&rct=j&q=&esrc=s&source=web&cd=1&cad=rja&uact=8&ved=0ahUKEwijjYT2oOfZAhVMaxQKHSbpA5EQFggoMAA&url=http%3A%2F%2Fwww.dgeg.gov. pt%2Fwwwbase%2Fwwwinclude%2Fficheiro.aspx%3Faccess%3D1%26id%3D15768&usg=AOvVaw35BmAnoIPomt5NwDzizspA

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